Toque de mestre

O mestre pianista de hard bop Cedar Walton aterrissa em São Paulo esta semana para shows no Sesc Pompeia, quinta e sexta-feira, parte da programação do Jazz na Fábrica, festival que vai até o dia 16 e traz diversos tons de música instrumental, dos solos idiomáticos de Mr. Walton e o jazz brasileiro de Hélio Delmiro, ao world-free-fusion-tudo canibal de Cyro Baptista. Walton é uma bela atração para inaugurar o festival. Desde os anos 60, quando fez escola na fábrica de talentos de Art Blakey, os Jazz Messengers, e acompanhou uma lista de bambas do gênero que parece mais um hall da fama do que qualquer coisa - Freddie Hubbard, Ornette Coleman, John Coltrane, Benny Golson e Joe Henderson - (ouça seu suingue agressivo e primoroso nas faixas de Mode for Joe, de Henderson, por exemplo, para sacar que Cedar não brincava em serviço), o pianista tornou-se um dos destaques do hard bop, estilo que se equilibrava entre o zelo pelo idioma de Charlie Parker e as crescentes liberdades harmônicas tomadas na época. Seu trabalho desde então, em grande parte feito com trios e quartetos, forma uma obra consistente, tendo ao seu cerne a força rítmica de sua linguagem inicial. Sua agilidade de ladrão de joias sobre o teclado envelheceu como madeira boa (Cedar, aliás, é cedro, em inglês), e se não retém a velocidade de outrora, preserva o suingue cravado de seus velhos tempos. Na sequência, o Jazz na Fábrica recebe Cyro Baptista para shows com o seu Beat the Donkey, mistura de coletivo de world music com o Cemitério de Automóveis, e outros grupos de teatro paulistano de vanguarda. Entre os outros nomes, o baixista israelense Avishai Cohen, o guitarrista brasileiro Hélio Delmiro e os paulistanos do Otis Trio + 5. / ROBERTO NASCIMENTO

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