Toque aí esse balanço, moço

MPB[br]TONINHO HORTA[br]HARMONIA & VOZES[br]Minas Records[br]Preço médio: R$ 23[br]REGULAR

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

Uma boa sugestão para animar as festas de fim de ano com uma trilha bem suingada e brasileira é a compilação Sambalanço, em CD duplo, com 28 faixas de clássicos do gênero, lançados pela gravadora Odeon nas décadas "douradas" de 1950 e 60, além de alguns esporádicos exemplares dos anos 70, pertencentes ao acervo da EMI. Inexplicavelmente Wilson Simonal ficou de fora, mas em compensação há gravações antológicas de Elza Soares, Miltinho, Walter Wanderley (com e sem Isaura Garcia), Pery Ribeiro e Golden Boys, cada um com mais de uma faixa.

Gênero que traçou caminho paralelo à bossa nova, o sambalanço é o samba cadenciado, que vem das grandes orquestras de baile dos subúrbios do Rio e de São Paulo, com influência do jazz.

Escolhidas criteriosamente pelo crítico e pesquisador Tárik de Souza, a compilação traz clássicos e raridades nas vozes de Trio Esperança (Bolinha de Sabão), Marlene (O Apito no Samba), Orlandivo (Palladium), Luiz Bonfá (Murmúrio), Elza (Teleco-Teco nº 2), Isaurinha (Palhaçada), entre outros.

Um dos êxitos de Orlandivo, Onde Anda o Meu Amor, aparece aqui com o balanço irresistível do Bossa Três. Outros vêm nas vozes de Miltinho (Leva e Traz), Doris Monteiro (Desse Jeito Não Tem Jeito) e Trio Esperança (Bolinha de Sabão). A gravação de Na Cadência do Samba, também conhecida como Que Bonito É, de Luiz Bandeira, é aquela de Waldir Calmon, que os mais velhos devem se lembrar como prefixo do bloco esportivo do velho cinejornal Canal 100.

Outro compositor do gênero bem representado na compilação é João Roberto Kelly, autor de Boato (grande êxito do início de carreira de Elza Soares) e Zé da Conceição (com Walter Wanderley). O próprio Kelly interpreta Dor de Cotovelo, de 1974. É pena que Silvio Cesar não tenha nenhuma faixa como intérprete, mas está representado como autor nas vozes de Elza e Pery. Outros grandes expoentes do gênero, Djalma Ferreira, Haroldo Barbosa e Luís Reis, também têm pérolas registradas. Uma curiosidade é Toque Balanço, Moço, de Roberto e Erasmo Carlos, em registro exclusivo dos Golden Boys.

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