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Luis Fernando Verissimo
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Toots, Sérgio e Luan

Diziam (com algum exagero) que só duas coisas produzidas pela Bélgica valiam a pena: a cerveja e o Toots Thielemans. Toots tocava harmônica, a popular gaitinha de boca, como ninguém, e morreu esta semana, com 94 anos, em Bruxelas. Ele começou tocando guitarra no início dos anos 40 e, depois, passou para a harmônica. O violão e a guitarra são instrumentos, digamos, íntimos, que você toca com eles perto do coração. Toots quis uma intimidade ainda maior e preferiu a gaita, o único instrumento de sopro em que a espiração é tão sonora quanto a inspiração – salvo o assovio, o primeiro instrumento humano que Toots também dominava. Ele foi um dos melhores improvisadores do jazz, tocou com todos os grandes e gostava muito da música brasileira. Uma das melhores faixas do seu CD The Brazil Project é uma interpretação da sua composição Bluesette, que reúne uma espécie de linha de frente de instrumentistas e cantores brasileiros, como João Bosco, Caetano Veloso e outros. E uma raridade, Chico Buarque cantando em inglês. Mesmo que não tivesse feito mais nada – e fez de tudo –, Toots Thielemans mereceria todas as honras e homenagens póstumas que lhe serão feitas só por ter composto Bluesette. É o que será tocado no seu enterro, não duvido. Numa versão andante majestosa.

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2016 | 02h00

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Por falar em coisas boas (e no Chico), está sendo lançada pela Companhia das Letras uma edição crítica de Raízes do Brasil com todo o texto histórico de Sergio Buarque de Holanda e mais ensaios, sobre a obra, de gente como Antonio Candido. Muitas das teses revolucionárias, para a época do seu lançamento (1936), de Raízes do Brasil foram questionadas e, pelo menos uma, a do brasileiro como um ser cordato, não resiste a um inventário das nossas violências nestes 80 anos, mas o livro permanece extraordinariamente atual. Extraordinário, também, é o esmero da Companhia das Letras, que nos presenteia com edição com capa dura, belíssima.

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Uma injustiça flagrante na convocação para a seleção brasileira do Tite foi a ausência do Luan, um dos melhores da seleção olímpica. Tite nem pode dizer que não o viu jogar: estava presente em todos os jogos da olímpica. Só não viu o que todo o mundo viu, até colorados.

 

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