''Tonga da mironga'' na trilha

O francês Stéfan Jonot, que há vários anos cria trilhas sonoras para os desfiles de Carlos Miele, assustou-se quando o estilista lhe entregou uma gravação do samba A Tonga da Mironga do Kabuletê, dizendo que esta seria a música da apresentação nesta temporada. Não pela dificuldade que ainda enfrenta para pronunciar o título, mas porque a gravação tinha pouco menos de três minutos e Miele a queria com no mínimo 13. Jonot conseguiu fazer isso, mixando e remixando o original em 98 batidas por minuto, o que o deixou com ritmo mais entusiasmante.

Tonica Chagas, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2011 | 00h00

No release distribuído às cerca de mil pessoas que assistiram ao desfile, Miele diz que a música, composta há mais de 30 anos por Vinicius e Toquinho, "expressa um contraponto entre o primitivo e o contemporâneo". Com o samba, ele prestou homenagem "à marca profunda que a herança africana deixou na alma brasileira".

Miele deu uma tradução livre à expressão do título, tomando-a como "qualquer lugar, bem longe". Segundo alguns estudiosos, porém, ela seria a mistura de pelo menos três línguas africanas e significaria algo entre o depreciativo e o tenebroso. Para os compositores, ela era um xingamento em nagô e foi assim que passou a ser entendida e usada na cultura popular brasileira.

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