Tomie Ohtake expõe sua 1ª obra interativa

As peças que serão exibidas a partir desta quinta-feira no Paço das Artes já estão sendo chamadas de a primeira obra interativa de Tomie Ohtake. Isso porque a instalação composta por uma dúzia de esculturas vai depender, na edição paulistana, da participação do público. Mas a criação é, mais precisamente, a primeira coreografia de Tomie Ohtake: as estruturas em ferro, círculos retorcidos de 60 quilos cada um (exatamente o peso da artista), movimentam-se como um corpo de baile. Em São Paulo, a dança de Tomie é ativada pelo visitante que esbarrar ou tocar nas peças."Algumas bailarinas já me procuraram, interessadas em dançar entre as peças", contou Tomie. "Ainda não sei se isso vai ocorrer; mas possivelmente se houver dança será no último dia de mostra."No Rio, ao ar livre, as esculturas serão movimentadas pelo vento que toma conta do andar térreo do Museu de Arte Moderna do Rio (MAM-Rio), onde vão ser mostradas em novembro, simultaneamente à mostra retrospectiva que ocupará o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). "Aqui, é a mão das pessoas que movimentará o trabalho", afirmou Tomie.No conjunto não há uma peça igual a outra. Cada uma das esculturas possui uma modelação única, apesar de ter a mesma massa e mesmo peso, o que confere um ritmo harmônico ao grupo.Pintadas de branco, as tubulações de ferro lembram ondulações de um mar revolto ou nuvens em meio a uma tempestade, idéia reforçada pela parede pintada de cinza. "Escolhi o branco pela idéia da leveza e porque adoro nuvens", observou Tomie, com sua costumeira economia de palavras.A artista apresentou esse projeto depois de receber uma primeira proposta de Daniela Bousso, diretora do Paço das Artes, para a exposição. Daniela sugeriu primeiramente uma mostra de pinturas. "Mas dentro dessa amplitude, não caberiam telas", disse a artista, que está produzindo uma nova série de pinturas para a grande mostra de abertura do instituto que leva seu nome, a ser inaugurado no próximo ano. "Isso vai dar bastante trabalho", contou ela. Animada com as perspectivas do novo espaço, Tomie diz que sua vontade é que o instituto seja, antes de mais nada, um local em constante movimento, como a grande instalação da mostra no Paço. "Não quero saber de museu!"Com o novo trabalho, Tomie retoma, de quebra, outro aspecto de sua produção, o gráfico. As tubulações compõem linhas curvas que, em movimento, geram desenhos diferentes. Mesmo paradas, as peças formam tracejados no ar que se transformam, dependendo do ponto de vista do visitante.O conjunto pode ser observado de fora do espaço circular de 400 metros quadrados onde as obras estão organizadas, dentro do Paço das Artes.Também pode ser visto de dentro da própria instalação, por quem percorre o espaço entre as esculturas que, além de dançarem entre si, interagem com a própria sombra. Projetadas no chão, graças a uma iluminação especial as sombras das peças se articulam com os pares, formando duos sincronizados com o conjunto, que será integrado ao futuro acervo do Instituto Tomie Ohtake.Antes da abertura do instituto, Tomie poderá ter sua pintura revista em espetáculo dirigido por Alice K. e Emílio Kalil. Além dos elementos plásticos da obra de Tomie, a montagem utilizará uma composição de Koellreutter como fio condutor e enxertos da poesia de Haroldo de Campos. A coreografia faz parte de um projeto mais amplo, Yuguen (nome da música do maestro que participará do espetáculo), organizado por Christine Greiner e pelo Instituto Japão, que terá início em outubro.Tomie Ohtake - De segunda a sexta, das 13 às 20 horas; sábado e domingo, das 14 às 19 horas. Paço das Artes. Avenida da Universidade, 1, tel. 813-3627. Até 5/11. Abertura, amanhã (28), às 20 horas.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2000 | 18h29

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.