Tomie Ohtake e seu instituto: aniversário com mostra gráfica

Tomie Ohtake completa 93 anos nesta quarta-feira. Numa dupla comemoração, o instituto cultural que leva seu nome inaugura a mostra Tomie Gráfica, reunindo, como diz o título, gravuras realizadas por essa grande artista que chegou ao Brasil em 1913, vinda de Kyoto, Japão. Dupla comemoração porque agora em novembro o Instituto Tomie Ohtake também faz aniversário, comemorando cinco anos de atividades. Para Tomie não há pausa nem descanso. Ela é "inquieta", como diz um de seus filhos, Ricardo Ohtake, que dirige o Instituto (concebido com o irmão, o arquiteto Ruy Ohtake) e participou de toda a concepção da mostra. Talento em família. Ricardo muitas vezes se vê ligado a projetos em torno da mãe, curiosamente sempre citada por ele como "a Tomie", espécie de reverência que ultrapassa os laços de sangue, afinal ela é uma das figuras mais incensadas da arte brasileira. Início da carreira aos 39 anos Tomie começou a se dedicar essencialmente à arte somente aos 39 anos. A escolha do ramo de sua produção gráfica para essa exposição comemorativa deu-se por um motivo simples: o fato de nunca ter ocorrido antes uma mostra extensa de suas gravuras no Instituto. "Já mostramos a pintura da Tomie, já fizemos a retrospectiva de sua obra, já apresentamos outros recortes, mas não sua obra gráfica com essa quantidade de peças", diz Ricardo. Tomie Gráfica, que ocupa três salas do Instituto, reúne 75 gravuras das cerca de 400 que ela criou até hoje, todas realizadas entre a década de 1960 e o ano de 2005. Há ainda matrizes e fotografias. A curadoria é assinada pelo crítico Agnaldo Farias. Litografias, gravuras em metal, e outras Certa vez Tomie recebeu um conselho do respeitado crítico Mário Pedrosa: seja original. Juntando a isso sua "inquietude" de artista, ela, em 1968, decidiu enveredar também para a produção gráfica, fazendo serigrafias. "A Tomie achou que tinha de experimentar", diz Ricardo - e todo seu percurso nessa experimentação fica claro na organização da mostra. Uma das mais interessantes séries presentes na exposição é a de litografias que Tomie realizou em 1972. Em formatos menores por causa das matrizes de pedra, as obras revelam texturas em meio às formas arredondadas e uma raiz geométrica livre, características tão presentes nas suas pinturas desse período. Nesse mesmo ano, Tomie participou da Bienal de Veneza, na mostra Graffica d?Oggi - e dividia a sala com os americanos Rauschenberg e Frank Stella. Mas há muito mais. De 1987, gravuras em metal, mais livres e gestuais; de 1993, a série de obras grandes, de 2,80 metros de altura, feitas em três módulos (fotos grandes desta página); de 1999, gravuras-objetos, recortadas e suspensas, cujas sombras nas paredes completavam a composição; e ainda as obras feitas especialmente para o álbum Yu-Gen, com poesias de Haroldo de Campos. Cinco anos de Instituto Tomie Ohtake A inauguração do Instituto Tomie Ohtake ocorreu em 28 de novembro de 2001. Como o arquiteto Ruy Ohtake estava fazendo o projeto do prédio do Grupo Aché para a Avenida Pedroso de Moraes ele mesmo apresentou a idéia de incluir no edifício "um espaço público", diz Ricardo Ohtake, inicialmente, um espaço para exposições de arte. Desde 1996 o projeto veio sendo pensado e em 2001 o instituto se concretizou, levando o nome de Tomie Ohtake como homenagem à artista. "Ajudei o Ruy com o programa arquitetônico do instituto", afirma Ricardo, de 64 anos, arquiteto por formação, artista gráfico e responsável pela direção da instituição desde seu início. O instituto tem 1.500 metros quadrados de área expositiva em suas amplas salas e mais 2 mil metros quadrados de espaço aberto. Desde seu início já apresentou cerca de 80 exposições, entre nacionais e internacionais, e ainda 30 mostras realizadas em outras instituições do País. "Entre as que mais gostei do resultado estão as de Ana Maria Tavares, de Nuno Ramos e a exposição tríplice de Cassio Michalany, Caetano de Almeida e Delson Uchôa. Das internacionais, a Sonhando de Olhos Abertos, de dadaísmo e surrealismo; a de Roy Lichtenstein; e de arquitetura de Vilanova Artigas", cita Ricardo. Dedicado, por enquanto, especialmente, às artes visuais, o instituto não tem acervo - e as obras de Tomie são apresentadas somente em mostras esporádicas. Mesmo tendo como prioridade as exposições, o projeto do instituto engloba outros espaços para tornar-se multidisciplinar. Dois teatros em obras Como conta Ricardo Ohtake, dois teatros ainda estão em obras: um deles, tem capacidade para 750 pessoas e o outro é um teatro "aberto", com uma estrutura quadrada de 18x18 metros que poderá ser usada de várias maneiras, não necessariamente como palco italiano. Ainda não há data para a inauguração desses espaços, mas a programação deles será dirigida por Emilio Kalil. Ricardo ainda conta que no Centro de Convenções do prédio há uma sala com capacidade para 220 pessoas que será usada como cinema para exibição de filmes convencionais e ligados às exposições em cartaz no instituto. Mas esses são ainda projetos. "O Instituto Tomie Ohtake é dos poucos espaços culturais que não têm subsídio automático, uma fonte permanente", afirma o diretor. A receita obtida por meio de patrocínio é de "30 a 50%" Mas, como diz Ricardo Ohtake, há ainda receita vinda dos cursos que o Instituto Tomie Ohtake promove em seus ateliês e em outras cidades e das parcerias "não sistemáticas" com outras instituições, inclusive para a organização de projetos educativos. "Isso ajuda a sustentar o instituto", completa. Aliás, a ação educativa da instituição, coordenada por Stella Barbieri, é um destaque, segundo o diretor. Tomie Ohtake. Instituto Tomie Ohtake. Av. Faria Lima, 201, 2245-1900. 3.ª a dom., 11 h às 20 h. Grátis. Até 21/2. Abertura quarta, às 20h

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