Tomie Ohtake apresenta a mostra 'Influxo das Formas'

Aos 90 anos, Tomie Ohtake podia ser vista nadando em sua piscina. Hoje, aos 100, a pintora se contenta em andar de bicicleta (ergométrica), ainda que dentro de sua casa, no Campo Belo, zona sul de São Paulo. Mas, se o físico impõe suas regras, a memória eidética da pintora compensa essas limitações. Tomie é capaz de lembrar como ganhou de presente de Volpi a pequena tela de sua sala de estar, ou o dia em que virou amiga de Yoko Ono, quando a viúva de John Lennon, também artista plástica, montou em São Paulo uma exposição pela paz mundial. Figura presente em todos os eventos artísticos da cidade, ela já não sai tanto de casa, mas acompanha pela televisão tudo o que acontece no mundo. Sua mais recente paixão, revela, é o papa Francisco. Não católica, Tomie ficou surpresa com suas declarações a respeito dos desafortunados.

ANTONIO GONÇALVES FILHO, Agência Estado

05 de agosto de 2013 | 11h09

No passado, eram as revistas que traziam as notícias e forneciam material para o trabalho artístico da pintora, como comprova a exposição Influxo das Formas, que será aberta amanhã, 6. Nela estão recortes que serviram de modelo para algumas pinturas de Tomie. Durante anos ela seguiu o mesmo procedimento dos ?gouaches découpés? (collages de papel cortado) de Matisse - o segundo na sua lista de pintores preferidos depois de Rothko, a qual também inclui o norte-americano Robert Motherwell. Tomie recortava grandes blocos de cor e formava com eles figuras ou composições abstratas.

Os curadores da mostra do Instituto Tomie Ohtake, Agnaldo Farias e Paulo Miyada, descobriram que, além de centenas de recortes, a artista mantinha o hábito de conservar em cadernos folhas soltas com miniaturas de seus quadros. Tiveram, então, a ideia de montar uma sala com essas pinturas e seus modelos virtuais feitos com canetas esferográficas coloridas. Essas formas, reconheceram os curadores, vão e voltam na obra da pintora num movimento circular, o que explica a retomada de imagens dos anos 1960 nas mais recentes telas. "Nunca planejei de modo racional essas formas", diz. "Elas simplesmente surgiam", simplifica. No entanto, a passagem da figuração para a abstração, nos anos 1960, assegura, foi motivada pela observação dos objetos que decoravam sua casa na Mooca.

INFLUXO DAS FORMAS - Instituto Tomie Ohtake (Rua Coropés, 88, Pinheiros, 2245-1900). 3ª. a sáb., das 11h às 20h. Grátis. Até 29/9.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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