Tomie Ohtake abre amanhã mostra com 25 telas em SP

Em Kyoto, no Japão, a mãe de Tomie Ohtake colocava no aparador de sua casa apenas uma pequena flor e um objeto. "Tudo bem simples desde pequena", conta a artista, que, naturalizada brasileira desde 1940, completou justamente ontem 97 anos. Com a recordação da infância em seu país natal, Tomie, a seu modo, sintetiza o caminho que ela persistiu, naturalmente, em sua trajetória artística - a ida ao abstrato, ao "cada vez mais simplificado", ao essencial.

AE, Agência Estado

22 de novembro de 2010 | 11h41

Assim como no haikai se condensa a poesia em pouquíssimas sílabas, Tomie Ohtake fala pouco (sorrindo) e elege o círculo - que na caligrafia japonesa simboliza o universo e o vazio - para ser o protagonista de suas mais novas pinturas. "Desde pequena gosto muito do redondo", recorda mais uma vez. "É uma forma sintética, tem amor e energia", completa ainda a artista, que amanhã inaugura no instituto que leva o seu nome, em São Paulo, mostra com 25 telas criadas entre 2009 e 2010. A exposição é um "passeio pelos círculos" de Tomie, em plena atividade.

"Trabalhei muito agora, como trabalhei!", brinca a artista, sempre de uma espontaneidade cativante. No ateliê abrigado na casa em que ela vive há 42 anos no bairro do Campo Belo - e projetada pelo seu filho, o arquiteto Ruy Ohtake -, Tomie recebeu a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. A luminosidade em seu ambiente de trabalho é, por causa de uma claraboia e das portas de vidro que dão para o jardim, por vezes mais clara que no lado exterior. Lá, com a ajuda de Futoshi, artista plástico de Saitama - província de Tóquio -, seu assistente desde 1997, Tomie expressa em suas obras formas e cores de maneiras diferentes, entretanto, sempre abstratas. "Só quando o quadro fica pronto, vejo se a expressão ficou mais calma, ou mais violenta", diz ainda Tomie. "Arte contemporânea, não penso nada. Não tem tempo, tem meu estilo."

Na nova mostra da artista, que abre as comemorações dos 10 anos do Instituto Tomie Ohtake, o ritmo dos círculos de suas pinturas (todas em tinta acrílica) não se dá apenas na pluralidade do número de telas, mas acontece, tantas vezes, num mesmo quadro - um redondo fagocita o outro; ou se faz por linhas circulares que reverberam como ondas num rio; ou remete ao cósmico, ao orgânico, ao geométrico, ao fogo. De maneira leve e livre, formas e cores vibram e se recolhem. Tomie, nome fundamental da arte brasileira, se colocou ao desafio de criar essa nova série. Ela gostaria que sentíssemos - e sentimos - sua força. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tomie Ohtake Pinturas Recentes - Instituto Tomie Ohtake (Av. Brigadeiro Faria Lima, 201). Tel. (011) 2245-1900. 11h/20h (fecha segunda). Grátis. Até 20/2. Abertura amanhã, às 20h, para convidados.

Outros eventos para comemorar os 10 anos do Instituto Tomie Ohtake:

Villa-Lobos Superstar. Na quinta, 20h30, apresentação musical com os grupos Pau Brasil, Ensemble SP e Renato Braz.

Nos Jardins do Éden. Dia 7, inauguração de mostra de fotografias de Christian Cravo.

Coro da Osesp. Dia 9, concerto com coro de Natal da câmara da orquestra.

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