Tom Wolfe elogia Gilberto Freyre e George Bush

O terno branco é o mesmo, assim como o humor certeiro - o escritor americano Tom Wolfe promete não decepcionar seus fãs quando pronunciar hoje, às 18h30, a conferência de abertura da 12.ª Bienal do Livro. Wolfe é o nome mais cintilante de uma fileira de escritores internacionais convidados para o evento, franceses em sua maioria. "Gosto muito de Gustav Flaubert, mas minha preferência sempre foi para a obra de Emilie Zola, que escrevia algo mais próximo das minhas preferências", disse Wolfe, que veio lançar seu mais novo romance, Eu Sou Charlotte Simmons (Rocco, 688 págs., R$ 65). "Preparem-se para o que vou dizer, pois vou dar minha opinião sobre como será a literatura nos próximos dez anos." Wolfe acostumou-se a ser o arauto do que se convencionou chamar "novo jornalismo", técnica que utiliza recursos literários para narrar uma notícia e se tornou uma febre nos anos 1960 e 70. Lamenta, porém, que o recurso não seja mais usado, com exceção da revista Rolling Stones. "Hoje, o new journalism está mais restrito à literatura", comentou Wolfe, revelando uma inesperada admiração pela obra do brasileiro Gilberto Freyre. "Não me lembro quando descobri sua obra, mas percebi que ele é alguém que tratou de assuntos importantes (distinção entre raças e organização social) de uma forma radical, o que me atrai muito. Adoro quando descubro alguém que transforma a vida em uma grande reportagem, como fez Freyre, a despeito dos conceitos sociológicos." Apesar de a literatura ser seu ofício, o escritor preferiu falar sobre política, especialmente a americana. Para Wolfe, George W. Bush é o nome certo para enfrentar a atual crise no Oriente Médio. "Bill Clinton é charmoso e seu envolvimento com Monica Levinsky trouxe os detalhes picantes que todos queriam saber. Já Bush é o próprio ´soldado cristão´, como diz uma famosa canção americana, aquele sujeito que tem a determinação de um militar para lidar com os principais problemas." O escritor de 75 anos lembra que perdeu três grandes amigos nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e apenas um líder com o pulso firme como Bush saberia como lidar com a situação. "Clinton era hábil para falar em público, mas prefiro ver Bush no Ground Zero." Wolfe permanece no Rio até segunda-feira e, até lá, pretende conhecer todos os pontos turísticos da cidade. Hoje, por exemplo, vai passear no bondinho do Corcovado. E, no domingo, descobrirá o samba na casa Rio Scenarium, uma das mais famosas da cidade. "Uma das minhas expectativas ao vir ao Brasil era descobrir as diferentes formas de status que marca sua sociedade. Esse será o tema do meu próximo romance e estou animado para conhecer novos detalhes."

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