David Bailey/ Divulgação
David Bailey/ Divulgação

Tom de amizade nos Encontros de Arles

Edição do tradicional festival francês se despede do diretor François Hébel, ao exibir obras de seus preferidos

Paris - EFE

20 de abril de 2014 | 02h10

O mais antigo festival de fotografia da França, os Encontros de Arles, adotará em sua 45.ª edição um tom mais pessoal com um fio condutor baseado nas amizades do seu diretor, François Hébel, que deixa o cargo depois de permanecer por 15 anos à sua frente.

Os instantâneos de velhos conhecidos deste evento, como seu fundador, Lucien Clergue, e o fotógrafo francês Raymond Depardon, conviverão de 7 de julho a 21 de setembro com as obras de artistas que Hébel sempre desejara expor, como o britânico David Bailey, segundo explicou na segunda-feira numa coletiva de imprensa.

A cidade de Arles acolherá um total de 50 exposições, com as quais se tentará bater o recorde de público de 2013, quando compareceram 96 mil visitantes - 11 mil a mais do que no ano anterior.

Os retratos feitos por David Bailey, por cuja objetiva passaram tanto artistas quanto pessoas desconhecidas, são uma das grandes apostas do festival, pois suas obras, segundo François Hébel, não iam à França há 30 anos.

Também poderão ser contemplados os trabalhos realizados com técnicas digitais a partir de fotografias antigas do brasileiro Vik Muniz, as imagens de franceses contemporâneos com as quais Denis Rouvre se interroga sobre a identidade, e as composições em branco e preto baseadas em objetos cotidianos do madrilenho Chema Madoz.

Todas essas obras, juntamente com as do francês Patrick Swirc e do suíço Vincent Pérez, estão reunidas sob o epígrafe Inédits, enquanto as exposições dos artistas que já haviam participado do festival serão conhecidas como Parade, nome que dá o título a esta edição do festival de fotografia.

Passado. É o caso de Clergue, que, aos 80 anos, voltará seu olhar para o passado a fim de selecionar os instantâneos dos homens e mulheres que mais o marcaram, entre os quais inclui seus familiares.

Além disso, por ocasião do centenário do início da Primeira Guerra Mundial, Rqaymond Depardon vai apresentar uma coleção de fotografias de monumentos que homenageiam os mortos no conflito.

E, diante da impossibilidade de capturar sozinho as 40 mil esculturas sobre esta temática que se calcula existam hoje na França, elaborou um protocolo para convidar qualquer pessoa a colaborar realizando uma fotografia segundo suas instruções.

A lembrança da Grande Guerra estará também presente através das lentes de Léon Gimpel (1873-1948), que se concentrou nos jogos das crianças parisienses em 1915.

Outro habitué do festival, o desenhista Christian Lacroix, será o curador de uma exposição que homenageará as mulheres de Arles através de imagens do século 19 ao 21.

Também poderão ser admiradas pela primeira vez as fotografias vanguardistas da coleção Trepat, cujo curador será o catalão Joan Fontcuberta, que não deixarão indiferente nem o público nem os acadêmicos, segundo Hébel, o qual não entrou em detalhes, mas a definiu um "tesouro incrível".

Além das exposições, o festival conta com simpósios e com prêmios como o "Prix Découverte" e o "Prix du Livre", que se aliarão para que a fotografia se apodere do verão de Arles. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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