Todos os prazeres do deserto

De Indio, Califórnia. Um deserto, 140 bandas, 75 mil ingressos vendidos, 90 mil pessoas no total. O colossal festival Coachella Music & Arts acabou no domingo, despejando um caminhão de informação musical e delícias visuais no cérebro do público. Passagem de Som estava lá e mostra dez dos principais momentos.

, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

1. Julian Casablancas tocando Strokes - Com um álbum solo irregular e com músicos de apoio esquecíveis, se comparados a sua banda principal, o vocalista Julian Casablancas fez um show intenso e surpreendentemente bom. Cantou duas dos Strokes, emocionando os fãs. A primeira, o hino indie Hard to Explain, foi logo a segunda canção do show.

2. The XX tocando de branco - O branco é o novo preto. Modelo preferido para seus shows tristes, a roupa de cor preta foi abolida pela sensação indie britânica em seu abarrotado concerto no sol do deserto. Sua música delicada e quase silenciosa não combinava com as roupas brancas e o palcão aberto sob sol forte.

3. A superbanda de meninos, Them Crooked Vultures - Com gás juvenil e alegria contagiante em tocar, um dos supergrupos atuais, o Them Crooked Vultures fez uma apresentação duas vezes histórica. Porque foi bastante bom e porque reunia três figuras ímpares: John Paul Jones (ex-Led Zeppelin) no baixo; Dave Grohl (ex-Nirvana, Foo Fighters) na bateria; e Josh Homme (Queens of the Stone Age) na guitarra.

4. Os suecos do Miike Snow - O vocalista que parece Jim Morrison, dois programadores animados, um judeu ortodoxo na cozinha, um baterista ruivo, uma modernosa música indie-eletrônica, um público superlotando a tenda.

5. Jay-Z e Beyoncé juntos. Coisa particular de casalzinho. Mas vistos por umas 60 mil pessoas. O rapper Jay-Z chamou sua mulher, Beyoncé, de chapéu e short micro, para cantarem Forever Young. Sobrou pouca gente para ver a brasileira Céu, que tocava em um palco não muito longe dali.

6. A volta do Pavement. Tudo bem que o público para ver a banda francesa Phoenix no mesmo horário era bem maior do que a da festejada volta dos heróis indies dos 90, o Pavement. Mas isso é uma questão geracional e do momento. O show do grupo foi emocionante. Tendo a arriscar dizer que a banda está tocando melhor agora do que no final dos 90, quando parou de se apresentar.

7. James Murphy para as massas. O show do Them Crooked Vultures arrastou um grande público. Mas na sequência, com o surgimento de James Murphy e seu LCD Soundsystem no palco, a audiência era bem maior. James Murphy, o modernizador da disco e atualizador da disco punk, está impossível.

8. Um Gorillaz de "verdade". Telões high-tech dialogando nas imagens reais e virtuais, as músicas tocadas ao vivo como se viessem de estúdio, mas uma banda "mostrando a cara" literalmente, liderada por Damon Albarn (Blur). Ficou um misto de sensações desencontradas ao ver o bom show da banda de desenho animado Gorillaz. Mas e as animações?

9. Uma banda de garotos chamada Girls. Destaque na nova geração do rock americano, o Girls fez um ótimo show misturando o lirismo hippie californiano e a barulheira insana de uma boa banda nova-iorquina. O vocalista do grupo, Chris Owen, notável mulherengo, tocou de bata, cabelo preso e batom.

10. Gossip não furou com o Coachella.Enquanto o Brasil espera novembro para ver a banda de Beth Ditto, se ela não furar pela terceira vez seguida os shows marcados para o País, o maior festival americano recebeu o Gossip de modo vibrante. E teve em troca uma Beth Ditto no perfeito papel de diva soul que toca em cima de guitarras estridentes. A espera por Beth vai valer a pena.

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