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Todo o lirismo das melodias de Jacob

Selo lança compilação de 14 temas do compositor para bandolim, flauta, sax e clarinete presentes em songbook

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2011 | 00h00

No "duelo" travado nos anos 1950 e 1960, Jacob do Bandolim (1918-1969) podia não ter a técnica apuradíssima de Luperce Miranda (1904-1977), mas tinha o poder de escrever melodias impregnadas de um lirismo venenoso que eternizaram seu nome na história da música brasileira. Agora, mais de quatro décadas depois da morte de Jacob, os admiradores da obra deste que foi um dos maiores compositores do choro - ao lado de Pixinguinha e Ernesto Nazareth - têm o privilégio de ouvir mais um disco com suas composições, batizado de Jacob do Bandolim para Flauta, Bandolim, Sax e Clarinete.

A lição de como tratar com respeito o patrimônio cultural do País é dada mais uma vez pela Global Choro Music. Criada em 2007, na Califórnia, pelo flautista Daniel Dalarossa, a editora e selo musical se especializou em lançar songbooks de grandes nomes da música instrumental, sempre com partituras em edições bilíngues, acompanhadas de um CD para iniciantes e iniciados poderem tocar junto com as gravações dos músicos.

Depois de ter lançado cadernos contemplando a obra de Pixinguinha, Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Zequinha de Abreu, Altamiro Carrilho, Severino Araújo e do pai do choro, Joaquim Callado, na série Clássicos do Choro Brasileiro, a editora traz agora Jacob do Bandolim para Flauta, Bandolim, Sax e Clarinete, que é uma compilação dos temas que integravam os dois volumes dos songbooks de Jacob, no mercado desde 2009.

"Nós sempre trabalhamos voltados para estudantes e músicos, mas tem muita gente que não toca, apenas aprecia o som. Esse disco foi feito pensando nesse aspecto e para conquistar um público mais abrangente", explica a diretora Isabella Leite.

Praticamente sem improvisos, o álbum é bem didático, no sentido de apresentar a quem não conhece e familiarizar o ouvinte com a linguagem do choro na tradicional formação de regional. O resultado é extremamente bem-sucedido graças ao time de solistas, contendo em sua formação craques como os bandolinistas Izaías do Bandolim, Déo Rian e seu filho Bruno Rian, os saxofonistas Carlos Malta, Mário Sève (soprano) e Daniela Spielman (tenor), além dos clarinetistas Dirceu Leite e João Francisco e dos flautistas Franklin da Flauta, Julie Koidin e Marcelo Bernardes.

O disco também é importante por outros dois aspectos. Em primeiro lugar, pelo fato de não se apegar apenas aos temas mais famosos e manjados de Jacob, como Doce de Coco, Vibrações, Remelexo e Gostosinho, mas também ir além e apresentar composições menos conhecidas do bandolinista. Em segundo, por revelar a naturalidade com que Jacob passeava por diversos gêneros e estilos, como o samba, em Receita do Samba, o frevo, na ligeira e cativante Sapeca, a valsa, na triste e fabulosa De Coração a Coração, e, naturalmente, o choro, com andamento moderado no melodioso Nostalgia e a aula de dinâmica, em Tatibitate.

Com edições bilíngues (português e inglês), a Choro Music tem ampliado seu público nos Estados Unidos, na Europa e no Japão e vai lançar ainda neste mês o disco Pixinguinha para Flauta e Sax. Diferentemente do volume de Jacob, o próximo lançamento terá temas inéditos do saxofonista que foi um dos maiores compositores do Brasil.

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