Patrícia Cruz/AE
Patrícia Cruz/AE

Todo mundo vai sambar

Samba não é exclusividade da avenida. Selecionamos bares em que se ouve e se dança o gênero o ano todo - em alguns deles, 'até' durante o carnaval

Marina Vaz e Guilherme Conte - O Estado de S.Paulo,

17 Fevereiro 2012 | 03h00

Os mestres Paulo César Pinheiro e João Nogueira já disseram: ninguém faz samba só porque prefere. Quantos mundos cabem dentro destas cinco letrinhas...

Muito já se discutiu sobre a cansada arenga acerca de São Paulo e sua suposta vocação para ser o tal do "túmulo do samba". Mas quando uma cuíca ronca, o violão dá o sinal e o pandeiro começa a balançar, a cidade vira é uma maternidade do samba.

Todo dia é dia, e quase toda hora é hora. Das mais sérias e reverentes rodas - com um silêncio de sacristia para ouvir os versos mais tristes dos lábios do cantor-, às pistas mais ferventes e pulsantes da madrugada, o samba se mostra em todas as suas formas e cantos da cidade. Não poderia ser diferente. Afinal, existe algum gênero que tenha em seu código genético uma alma mais brasileira?

Nas próximas páginas você encontra lugares para ouvir ou dançar samba por aí. Sapato branco (ou cheio de estilo como o daí de cima), camisa aberta, corrente no peito e chapéu quebrando a aba na testa... Não arrisca um miudinho? Não tem problema. Se não for ruim da cabeça nem doente do pé, temos um passo a passo para você. É, não tem desculpa.

Mexa-se ou não

Não importa se você quer arriscar seus primeiros passos ou ficar só ali, quietinho, ouvindo música. Nos 12 bares que apresentamos aqui, o samba é rei

Traço de união

A (boa) banda oficial da casa marca presença nos três dias da semana em que o Traço de União fica aberto - quinta, sexta e sábado. É ela que acompanha convidados, como Dayse do Banjo e Carllão Maneiro (hoje, 17), enquanto o público dança na pista - em geral, cheia. Aos sábados, o samba de raiz é acompanhado por feijoada (R$ 27, para duas pessoas).

R. Cláudio Soares, 73, Pinheiros, metrô Faria Lima, 3031- 8065. 5ª, 21h/3h30; 6ª, 22h/3h30 e sáb., 13h30/22h. R$ 20/R$ 40.

Bar do Cidão

Aqui no Cidão - cujo nome 'oficial', ultra poético, é 'Café du Rêve' -, o violão de sete cordas é quem conduz o samba pela madrugada afora. A música é tratada com seriedade todas as noites (mesmo). O choro é a estrela, mas às terças e quintas o samba pede passagem. E passa, todo prosa, todo dor.

R. Dep. Lacerda Franco, 293, Pinheiros, 3813-3111. 19h/últ. cliente. R$ 10/12.

A origem do termo 'samba' tem lá suas controvérsias históricas. Há, porém, certo consenso na ideia de que é uma corruptela de 'semba', um estilo musical angolano. Quer dizer 'umbigada', na língua quimbundo

Bar Samba

Personalidades como Cartola e Clara Nunes decoram as paredes do bar, enquanto o público improvisa uma pista ao redor dos músicos. As atrações são fixas, por dia da semana. Às sextas, por exemplo, toca o grupo Dose Certa. Por conta do carnaval, amanhã (18), das 21h às 3h, recebe um convidado especial: Luiz Lira.

R. Fidalga, 308, Pinheiros, 3819-4619. 4ª (exceto 22/2), 19h/1h; 5ª, 19h/2h; 6ª, 19h/ 3h; sáb., 13h/19h e 21h/3h. R$ 15/R$ 30.

Bar Mangueira

A programação, com bandas fixas de samba e pagode, será retomada na 5ª (23) - depois de um recesso no carnaval. E se você não for muito fã de feijoada, servida aos sábados (R$ 38, para duas pessoas), vá no domingo, quando o almoço tem opções de massas à la carte.

R. Cláudio Soares, 124, Pinheiros, 3034-1085. 5ª e 6ª, 21h30/4h; sáb., 13h30/22h30; dom., 14h/21h30. R$ 10/R$ 20. www.barmangueira.com.br.

Samba da Vela

É quase uma celebração eucarística musical. Uma vela é acesa. Não tem bebida, nem conversa, nem bagunça. Só samba. Quando a vela acaba, a música acaba. Simples assim. Puro assim.

Casa de Cultura de Santo Amaro. Praça Dr. Francisco Ferreira Lopes, 434, 5522-8897. 2ª, 20h30. Pague quanto quiser.

Você vai se quiser

A cantora Graça Braga só queria um lugar para tocar com os amigos. Conseguiu um, próximo à Praça Roosevelt, há 8 anos. "No nosso primeiro sábado, tinha 60 pessoas; hoje chega a 500", lembra. Nesses dias, dois ou três artistas se revezam no palco. Às sextas, quem toca sempre é o grupo de samba de raiz Candieiro.

R. João Guimarães Rosa, 241, Consolação, 3129-4550. 6ª, 18h/23h; sáb., 13h30/21h. R$ 8/R$ 18.

Bar do Alemão

É um dos templos do samba na cidade. Aberto em 1968, o Alemão foi imortalizado na capa do primeiro disco de Eduardo Gudin (foto), músico que é um dos sócios do bar. Se outrora passaram por suas mesas gente como Nelson Cavaquinho e Baden Powell, saiba que este é um dos cantinhos favoritos de Paulo César Pinheiro na cidade. Há música boa todos os dias, mas a tradicionalíssima roda de samba (com João Borba e Barão do Pandeiro, entre outros) ocorre às quintas.

Av. Antártica, 554, Água Branca, 3879-0070. 11h/1h (5ª, 6ª e sáb., até 3h; fer., 18h/1h; fecha dom.) Couvert: R$ 7/R$ 12.

Ó do Borogodó

Aqui o samba tem espaço todo santo (ou seria profano?) dia. Entre hoje (17) e 3ª (21), a casa é tomada por bailes de Carnaval (R$ 30). Mas, a partir de 4ª (22), volta à programação normal, que passa por diferentes roupagens do samba - dos cantos de terreiro às rodas mais quentes. Você tem que ir.

R. Horácio Lane, 21, Pinheiros, 3814-4087. 21h/3h (sáb., 13h/3h; dom., 19h/23h59). RS 15/R$ 20.

Magnólia

Ritmos da dança de salão, como forró, samba e bolero, dividem espaço na programação com shows de MPB e blues. A casa fecha durante o Carnaval, mas, na 5ª (23), retoma sua agenda com um baile de gafieira, estilo que também domina as noites de terça e domingo. Ah, e com direito a uma aula do ritmo antes dos shows.

R. Marco Aurélio, 884, Lapa, 3463-4994. Gafieira: 3ª, 5ª e dom., 18h/2h. R$ 25.

Clube Etílico Musical

Afetuosamente conhecido como 'Samba da Meirinha' - graças à primeira-dama do lugar -, o CEM nasceu como uma roda de samba e cerveja para os amigos na lavanderia que o casal abriu no quintal. E o espírito permanece...

R. Fradique Coutinho, 1.048, V. Madalena, 3815-8456. 5ª a dom., 22h. R$ 10 (fecha 18, 19 e 23).

Bar Brahma

Aberto todos os dias, com variada e boa programação, aqui o samba tem lugar garantido. Todo sábado, às 14h30, a cantora Naninha e sua banda tocam músicas de raiz, na famosa 'Feijoada com Samba'. Entre as atrações fixas do gênero, tem ainda Demônios da Garoa (5ª, 22h30) e o grupo Samba de Rainha (4ª, 22h30). Av. São João, 677, Centro, 3367-3600. R$ 35/R$ 65.

A Contemporânea

Ao passar pela soleira d' A Contemporânea, o século 21 fica do lado de fora. O choro e o samba-canção, com os cotovelos mais doloridos do cancioneiro nacional, fazem com que a nostalgia paire sobre o público, que ouve tudo com a reverência que os portugueses emprestam ao fado. Não existe amor em SP? Aqui existe sim - e não é pouco. Coisa séria.

R. General Osório, 46, Centro, 3221-8477. Sáb., 10h. Grátis.

Mas é carnaval!

Ok, a nossa proposta era apresentar o samba fora da avenida. Mas longe de nós esquecermos da festa de Momo. Tem programas para todos os gostos

Carnaval de Rainhas

Majestade é uma coisa muito séria. Nas décadas de 40 e 50, as cantoras Marlene e Emilinha Borba revezavam-se no posto de 'Rainha do Rádio'. Para viver as duas rainhas - em canções como 'Chiquita Bacana' e 'Lata d’Água' -, foram escaladas duas bambas: Adelaide Chiozzo e Silvia Maria.

Galeria Olido. Sala Olido. Av. São João, 473, metrô República, 3397-0171. Sáb. (18), 18h. Grátis (ingressos 1h antes).

Cultura Livre SP

Há carnavais e carnavais. Tem quem prefira ferventes salões de baile, com pierrôs e colombinas. Mas se o seu negócio é ar livre, vale conferir a programação de bailes, shows e blocos nos parques da cidade. No domingo (19), por exemplo, você pode ver a Banda Glória no Parque do Horto Florestal (às 12h), ou o bloco Ilú Obá de Min, no Parque da Juventude (às 15h). A programação completa está em www.culturalivresp.gov.br.

Carnaval de Todos os Tempos

A festa é realizada no número 1.036 da Pedroso há dez anos (o espaço antes era o Avenida Club, e, agora, o Estúdio Emme). A programação começa amanhã. (18) e vai até terça (21). O som é por conta da Banda Koisa Nossa, com sucessos como 'O Teu Cabelo Não Nega', 'Me Dá um Dinheiro Aí', 'Máscara Negra' e 'Bandeira Branca'. Há um pacote para as quatro noites (R$ 140/R$ 180).

Estúdio Emme. Av. Pedroso de Morais, 1.036, Pinheiros, 3031-3290. Sáb. (18), dom. (19), 2ª (20) e 3ª (21), 23h. R$ 45/R$ 50 (por dia; pacote, R$ 140/R$ 180).

Bonecões

O desfile que ocorre no Sambódromo costuma dividir opiniões, mas este aqui, no Museu da Língua Portuguesa, agrada a todas as idades. Todo mundo vai dançar em meio aos rodopios dos bonecões feitos por alunos da folclorista Neide Rodrigues Gomes. Sai da frente!

Praça da Luz, s/nº, metrô Luz, 3326-0775. Sáb. (18), 13h. R$ 6

Carnaval Paratodos

A Cia. Capadócia armou a lona de seu circo-teatro no Memorial da América Latina. Oito músicos formam a Bandinha da Alegria, que dispara sucessos carnavalescos como 'Mamãe Eu Quero', 'Alalaô' e 'Aurora'. E o melhor: os foliões mais desavergonhados podem - e devem - vir fantasiados para um bailinho com adultos e crianças, com concurso e tudo.

R. Auro Soares de Moura Andrade, 664, metrô Barra Funda, 3823-4600. Sáb. (18) e dom. (19), das 15h às 18h. R$ 30.

Clube Piratinga

Famoso por seus bailes de salão, o espaço promove duas festas. Amanhã (18), o 'Carnabaile' mistura músicas dançantes com marchinhas e sambas-enredo. Na 3ª (21), o 'Folia & Fantasia' busca retomar o clima dos antigos bailes de carnaval, com direito até a concurso de fantasias. Esta última noite também terá participação de 26 integrantes da escola Nenê de Vila Matilde.

Al. Barros, 376, Higienópolis, 3666-0376. Sáb. (18), 20h/4h e 3ª (21), 20h/4h. R$ 20/R$ 25.

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