Todo mundo quer este cão

O cãozinho que já vendeu 30 mil livros volta a fazer rir na nova história Soltei Um Pum na Escola

ARYANE CARARO, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2012 | 03h10

A pedidos, José Carlos Lollo e Blandina Franco soltaram o Pum mais uma vez. Assim mesmo, com inicial maiúscula e artigo definido que o antecede. É um trocadilho, vamos logo avisando, e dos que fazem rir adultos e crianças. Trata-se do nome de um cachorro bagunceiro que rendeu à dupla cerca de 30 mil livros vendidos, um prêmio de menção honrosa na Feira do Livro Infantil de Bologna, categoria digital, e agora uma continuação para as aventuras barulhentas e nem sempre cheirosas de Pum. E sem fazer nada daquilo que talvez você esteja pensando.

Soltei o Pum na Escola acaba de ser lançado pela Companhia das Letrinhas e é o segundo livro infantil que utiliza um cachorro para gerar piadas de duplo sentido, muito embora as ilustrações de Lollo estejam lá para estabelecer um único. Não estava programado. Mas o sucesso foi tamanho com o livro Quem Soltou o Pum? (Cia. das Letrinhas, 2010, um dos finalistas do Jabuti 2011), que a própria editora de infantis da Companhia, Júlia Schwarcz, encomendou mais um Pum - perdoe-nos, leitor, pelos trocadilhos, mas eles simplesmente escapam. E conversar com os bem-humorados autores contamina qualquer assunto com piada.

"A gente não queria que este segundo fosse um Pum gratuito e que acabasse cheirando mal na nossa carreira. Por isso, pensamos em situações que acontecem na escola", diz Blandina, rindo. "Nós nos preocupamos em contar uma história que tivesse sentido, que não fosse apenas de trocadilhos." No livro, cada criança pode levar seu animal de estimação para o colégio. Pum, como é de se esperar, vence a timidez assim que começa o recreio e apronta tanta confusão que vai parar na diretoria. É expulso em seu primeiro dia de aula.

Mas Pum não é um livro sobre um cachorro flatulento. O personagem foi inspirado em Ênio, um golden retriever de Blandina que, já velhinho, tinha um odor muito incômodo. "O Ênio era um pum ambulante. Certa vez, fizemos piada de como seria maravilhoso ter um cachorro com este nome e começamos a brincar com a ideia", lembra ela. Mas Ênio não tinha a energia de Pum, que está mais para o turbulento Tobias, atual cão do casal, que também inspirou um livro a ser concluído - Ênio, agora, descansa suas cinzas debaixo da mesa da sala.

De trocadilho em trocadilho, nasceu o primeiro livro da dupla, que não foi o primeiro a ser publicado. O Pinguim Chamado Pinguim que Tinha Pé Frio (Amarilys), de 2009, abriu a lista que deverá chegar ao fim de 2013 com 30 livros infantis nas livrarias. "Se não surgir nenhum novo pelo caminho", brinca Blandina. Só neste ano já foram o Pum, O Peixe e a Passarinha (Cia. das Letrinhas), Tem uma Janela na Minha Boca e Tem Sempre um Diferente (pela Salamandra). E chegam ainda Os Seres Falados, sobre criaturas originadas das coisas que as crianças falam, como o "Jávô" e o "Porque", O Livro dos Tutus, com monstros do folclore brasileiro, e O Menino que Queria Ir, de um garoto que sempre queria ir adiante. Programadas para o ano que vem, mais 16 obras. Culpa da boa receptividade com as ideias deles, que se preocupam em não ser professorais. "É a pior maneira de falar com a criança, não precisa ser didático ou dar lição. Ler é divertido também, vamos brincar um pouco", explica Blandina.

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