'Todo filme tem sua música, que serve como um guia'

Entrevista com o diretor Karim Aïnouz

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2013 | 02h08

Por que Abismo Prateado?

É um nome esquisito, mas eu gosto. O nome original do filme era Violeta, mas este não é um filme sobre a história do personagem mas, sim, um instantâneo. Depois veio Sorvete Solar - ela toma sorvete e diz que "passa a dor". Mas, ao final da montagem, surgiu Abismo Prateado. Há duas cenas cruciais do filme: a da boate e a da praia, em que ela olha para o penhasco, à noite. Lembrei daqueles penhascos de filmes noir americanos. E o abismo tem tudo a ver com a jornada dela. Isso se uniu ao reflexo da luz na água à noite, algo prateado, utópico.

Mesmo quando não inspirados em uma música, todos os filmes têm sua própria canção?

Sim. No caso de Abismo, é óbvia a relação do filme com a música, mas, por exemplo, quando estava escrevendo Praia do Futuro (em fase de montagem), ouvia muito Heroes, do David Bowie. Esta é a sua canção. Até mesmo em O Céu de Suely havia uma música do filme. Quando a gente descobre qual é, pode-se sempre ouvir esta canção quando surge alguma dúvida. Durante as filmagens de Abismo, eu às vezes colocava para ouvir no mp3 player a versão instrumental de Olhos nos Olhos. E aí eu voltava para o tom. Este é um filme sensorial.

Alessandra Negrini traduz muito bem as sensações de Violeta.

O modo como ela articulou a dor de Violeta foi muito delicado, assim como a construção da personagem. / F.G.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.