Todas as tribos se encontram nos shoppings

Patricinhas, surdos-mudos, vestibulandos, evangélicos...Cada turma escolheu um shopping como ponto de encontro

16 de abril de 2008 | 21h27

Meninas maquiadas, com shorts da última coleção da Miss Sixty, brincos H. Stern ou Tiffany’s, bolsa Louis Vuitton e sapatos italianos são o que mais se vê numa tarde de sábado no Shopping Iguatemi. Na maior parte das vezes, elas nem têm idade para tanta produção. Afinal, poucas ali já passaram dos 13 ou 14 anos. Mas o que importa mesmo é ser fashion. A tendência também persegue as mais velhas, com a diferença de que a concentração delas nos corredores do shopping não se restringe aos finais de semana. As jovens patricinhas ainda estão presentes em grande número no Pátio Higienópolis. Mas elas têm algumas características próprias. Em vez de aproveitarem apenas os sábados no shopping, elas também freqüentam nos dias de semana, à tarde. E toda a produção das ‘primas’ do Iguatemi dá espaço para uniformes de tradicionais colégios do bairro, como o Rio Branco e o Sion. Sempre, é claro, com algum detalhe para fazer a diferença.  Pelo menos uma vez por semana a turma de jovens surdos e mudos encontra um canto, ou melhor, um shopping para chamar de seu na cidade. Neste caso, o escolhido para os encontros é o Shopping Metrô Tatuapé. Ali, em todas as segundas-feiras, às 19h30, eles participam de reuniões direcionadas aos portadores da deficiência, promovidas pelo próprio empreendimento. Mas há aqueles que vão lá só para encontrar os amigos e se divertir no espaço de lazer. Outros, apenas passeiam e olham ávidos as novidades das vitrines. Para receber estes jovens com segurança, conforto e respeito, o shopping treinou alguns funcionários para dar atendimento especial a este público. O Shopping Santa Cruz, também com acesso facilitado pelo metrô, é outro ponto da turma. Não há reuniões ou eventos direcionados para eles no centro de compras, mas o espaço virou referência e local de encontro há anos.  Não abre mão de circular com seu cachorrinho nem mesmo quando vai ao shopping? O seu lugar, então, é o Pátio Higienópolis. Lá está a maior concentração de mulheres bem-vestidas, com roupas de grife, andando muito à vontade com seus preciosos bichinhos a tiracolo. Elas formam o público principal do shopping, que é exatamente o mesmo do bairro onde está localizado - famoso, aliás, pela população canina.  Entre uma aula e um simulado, os vestibulandos aproveitam para dar uma volta e comer algo no Pátio Paulista. O shopping atrai quem está se preparando para entrar na faculdade, principalmente pela proximidade com alguns cursinhos. Na região do empreendimento, há o Objetivo (tanto o da Paulista como a unidade Vergueiro) e o Anglo, na Rua Tamandaré. Por isto, é comum ver jovens com livros nas mesas da praça de alimentação.  O mix perfeito da boa convivência acontece no Osasco Plaza. Ali, estudantes e amantes do funk se relacionam em harmonia com a jovem turma de evangélicos, que representa 30% dos freqüentadores. Eles freqüentam palestras sociais e participam de campanhas voltadas para o bairro. No Shopping SuperOsasco também é possível encontrar a turma do funk, mas em pequena quantidade.  Homofóbicos e puritanos não têm vez no Frei Caneca. O público do shopping é reconhecidamente GLS (gays, lésbicas e simpatizantes). Casais e grupos de amigos circulam pelos corredores sem estranhamento por parte dos outros freqüentadores. Como é comum no meio, onde tudo ganha apelido, o Frei Caneca não poderia ficar de fora, e o empreendimento também é carinhosamente conhecido como "Frei Boneca" ou "Gay Caneca".

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