Todas as melodias de Luiz

A feijoada de estilos que forma Pérola Negra (1973), disco de estreia de Luiz Melodia que será relançado pela Discoteca Estadão na semana que vem, é completa. Em dez faixas, o compositor e cantor carioca dá uma geral, com voz aveludada e poesia sagaz, em todos os estilos que compõem a MPB moderna, transitando entre o forró e o iê-iê-iê, o blues e o samba, entre outros, sem cerimônia. O fato de se tratar de um compositor e cantor tão vinculado à tradição afro-brasileira faz desta miscelânea ainda mais marcante.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

Filho de Osvaldo Melodia, renomado compositor do Estácio de Sá, Luiz nasceu no Rio e cresceu em meio aos pandeiros e cavaquinhos da escola de samba. Mas no morro, ouvia muito Beatles, Roberto Carlos e The Foundations - o rock e a soul music da época - e, em vez de seguir os passos de seu pai ou quebrar com eles, misturou tudo, uma trajetória que se transforma em metáfora no início de Pérola Negra. Luiz abre cantando o belo samba Estácio, Eu e Você, acompanhado do regional do Canhoto, a nata dos chorões cariocas. Nada mais tradicional. O que sucede é o climão introspectivo de Vale o Quanto Pesa, que lá pelas tantas vira samba soul, dá vez ao bolero Estácio Holly Estácio (este composto na tradicional veia de exaltação às escolas de samba) e desemboca no empolgante funk soul de Pra Aquietar.

O disco ainda viaja pela bossa e pelo jazz. Mas se há uma influência palpável em todas as canções é a da voz de Roberto Carlos, não tanto pela semelhança de timbres quanto pela assimilação dos trejeitos vocais e, em alguns momentos, a sinceridade confessional do Rei. Para arrematar o disco, o baião traquina Forró de Janeiro: couve, farofa e laranja para este doido e apetitoso banquete musical.

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