Toda fantasia do mundo

Quinta edição do Cinefantasy exibe mais de 150 filmes para prazer dos fãs

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2010 | 00h00

Fãs de cinema fantástico - uma seara ampla na qual se inscreve o horror - dispõem não apenas de Rec 2 - Possuídos entre as atrações em cartaz. São Paulo abriga desde terça-feira a 5ª edição do Festival Internacional de Cinema Fantástico. É um prato cheio para quem curte fantasias, e não apenas as assustadoras. O festival contempla curtas e longas do País e do exterior e presta homenagens a cineastas como o brasileiro José Mojica Marins e o colombiano Jairo Pinilla.

Mojica, você conhece - e o mundo inteiro, também, porque o personagem Zé do Caixão extrapolou as fronteiras do Brasil e, rebatizado como Coffin Joe, virou cult até nos EUA. Pinilla será uma surpresa e tanto. Vindo de uma cinematografia pouco conhecida pelos brasileiros, ele foge aos raros filmes colombianos que aqui aportam, todos de recorte realista e social, com suas histórias bizarras de mortos vivos, cientistas loucos, praticantes de vodu e crianças abduzidas por seres de outras galáxias.

O festival, que segue até o dia 12, está exibindo 154 filmes. Além das mostras competitivas de curtas e longas, o Cinefantasy de 2010 exibe uma súmula do melhor do de 2009 e também sugestivos panoramas nas mostras paralelas. Um panorama israelense, outro colombiano e um terceiro grego. Como brinde, um filme-surpresa está sendo lançado durante o evento, mas se é surpresa, claro, você só saberá qual é na hora. É possível que tudo isso seja muito atraente para o público jovem, que curte o fantástico, e especialmente os gêneros de terror e horror. Para espectadores de uma faixa um pouco mais velha, o regalo poderá ser um clássico das sessões da tarde.

Foi em 1964 que o lendário produtor George Pal realizou As Sete Faces do Dr. Lao, com Tony Randall. Pal, nascido na Hungria, começou animando filmes de marionetes. Reconhecido como grande artista, foi cooptado por Hollywood, onde prosseguiu produzindo filmes assinados por Byron Haskin e Rudolph Maté, incluindo a primeira versão de Guerras dos Mundos, de H.G. Wells. Como diretor, assinou ele próprio outra adaptação de Wells - a versão de 1960 de A Máquina do Tempo. Mas sua obra-prima é Dr. Lao, que fez com Tony Randall, um notável coadjuvante que, em geral, fechava o triângulo nas comédias românticas com Doris Day e Rock Hudson.

Dr. Lao circula pelo Oeste dos EUA com seu circo itinerante. O próprio Randall, além do dono do circo, esconde-se por trás de máscaras, criando outros seis personagens. O tour de force valeu grandes elogios ao ator e Frank Tuttle ganhou o Oscar de maquiagem, mas não é só isso que faz de Dr. Lao uma atração tão especial do 5.º Cinefantasy. Na verdade, há quase 50 anos os críticos tentam decifrar os mistérios das parábolas propostas pelo circo do personagem. Muitos acham que o olhar estrangeiro de Pal deu conta das complexidades e idiossincrasias da "América".

Forcinha. Entre mais de 150 títulos é até heresia destacar uma meia dúzia. O tiete deve fazer as suas descobertas, mas não custa dar uma força - Evil Angel, de Richard Dutcher, transporta o mito de Lilith para o século 21. Frankenstein Unlimited, produção canadense (de Quebec) assinada por vários diretores (Matthew Saliba, Chu King-wei, etc.), busca novos tratamentos, mais modernos, para o personagem clássico da história de terror gótico de Mary Shelley. E não se pode prescindir de Bordello Death Tales, o novo horror inglês de James Eaves, Al Ronald e Pat Higgins, que traz três histórias de destruição e morte no bordel de Madame Raven. Um dos episódios chama-se The Ripper, O Estripador. Tudo a ver com a tradição inglesa, mas também renovada.

CINEFANTASY

CCSP. Rua Vergueiro, 1.000, 3397-4002

Cine Olido. Avenida São João, 473, 3331-8399

Programação completa:

www.cinefantasy.com.br

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