''Tô cantando mais forte''

ENTREVISTA Nelly Furtado.Cantora canadense

Entrevista com

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2010 | 00h00

Filha de açorianos, a cantora canadense Nelly Furtado lançou-se na carreira cantando baladas românticas. Em 2007, com o álbum Loose, atingiu o topo das paradas musicais. Uma de suas canções, I"m Like a Bird, encantou o escritor e roteirista Nick Hornby, que a elegeu como uma de suas 31 favoritas em um ensaio. Mas Nelly é uma metamorfose ambulante.

Em 2008, produzida por Timbaland, tornou-se mais uma femme fatale do pop, assumindo uma persona erótica no palco. Ganhou um Grammy. No ano passado, mudou de novo: lançou um álbum em espanhol, Mi Plan, que vendeu mais de 700 mil cópias e a emparelhou com ídolos latinos como Shakira. Mas já deu nova guinada: depois de cantar na abertura da Olimpíada de Inverno de Vancouver, ao lado de Bryan Adams, está em aquecimento para lançar Lifestyle, em que volta a cantar em inglês. Nelly canta em São Paulo no dia 27 de março e conversou com o Estado por telefone.

Ouvi dizer que você canta Caetano para a sua filha dormir.

É verdade! Amo Caetano, foi muito influente em minha vida, sempre me deu inspiração. Sempre cantei em português em casa. Minha filha, Maddie, tem 6 anos agora e está doente hoje, mas gosta muito de música. Gosta também de Elliott Smith. Tenho a impressão de que vai ser cantora também. Quando eu estava grávida, gravava meu segundo disco, e acho que a atmosfera de estúdio influenciou o bebê. Meu pai também é músico, meus avós eram músicos, é uma tradição familiar.

Mas você, que fala português, acabou lançando um álbum em espanhol. Por quê?

Acho que é muito importante hoje ser uma artista universal. Minha mãe era muito fã de Julio Iglesias, adorava o repertório latino. Também tem uma coisa: cantando em português ou em espanhol, minha voz sai diferente, é como se eu estivesse recomeçando. Desde que gravei com Juanes a primeira vez, em espanhol, eu tinha vontade de fazer um disco. A paixão com que cantam, a entrega, tudo isso sempre me fascinou. Aprendo rapidamente, e isso me permite tocar em todo tipo de casa de shows.

Você também gravou uma música com o grupo Bajofondo, de Gustavo Santaolalla. O tango também seduziu você?

Adoro o tango. É uma música muito imagética, com energia de sobra. Tem um toque mágico a música do Gustavo, adoro gravar com ele, trocar ideias. É um bom amigo, um dos meus ídolos. É difícil alguém com tanta integridade, e ele aborda um espectro musical amplo, já ganhou dois Oscars, se não estou enganada. Não tenho restrições a nenhum tipo de música. Quando eu era mais garota, adorava o drum"n"bass, por exemplo. Experimento de tudo, desde que não esteja forçando uma barra.

E quanto ao Timbaland? Como foi ter o Midas do pop atual como produtor?

Somos amigos há mais de 10 anos, temos aquele tipo de conexão cósmica. Não estou com ele no novo álbum, Lifestyle, mas certamente ainda vamos trabalhar juntos.

E como você definiria esse seu novo disco, Lifestyle?

Não sei, é um tanto difícil... O que posso dizer é que é uma combinação de sons de meus quatro discos. Tem hip-hop, tem reggae, tem músicas românticas. Curioso é que, depois de gravar e fazer turnês cantando em espanhol, meus vocais estão mais fortes. As pessoas poderão ver isso nos shows no Brasil. Tenho lembranças fantásticas dos primeiros shows no Brasil, em 2002. A galera mexia e dançava com muita alegria. Sempre tive uma relação muito forte com seu país, não só porque meus pais são açorianos, cuja formação cultural é permeada pelas manifestações artísticas do Brasil, mas porque me sinto parte de sua terra, me sinto em casa no Brasil. Não é exclusividade minha: o mundo todo conhece e aprecia a música brasileira. E quando a seleção de futebol joga, somos todos verde-amarelos.

A sua abordagem musical depois de Timbaland a colocou num nicho em que estão cantoras como Beyoncé, Christina Aguilera, Lady Gaga. Você se sente próxima dessas artistas ou se considera um caso à parte?

Somos todas primas musicais. Dançamos e buscamos despertar alegria. E temos respeito mútuo umas pelas outras. Admiro demais a Beyoncé, é uma artista completa, batalhadora, inovadora. Claro, por conta até de nossas formações diferentes, nós não somos iguais. Mas gostamos de coisas muito parecidas, a combinação é que é diferente.

Serviço

Via Funchal (6.000 lugares).

Rua Funchal, 65, Vila Olímpia,

Telefone 2144-5444. Dia 27/3, às 22 h.

R$ 180/R$ 300

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