Tititi em preto-e-branco no primeiro dia de SPFW

Homens magros e mulheres ótimas. No final do primeiro dia de função da SPFW, já dá pra ter uma idéia do que os estilistas gostariam que todo mundo usasse no outono-inverno. Em preto-e-branco, claro, porque foi o tom desse dia de mormaço no prédio da Bienal do Ibirapuera. Que teve Rodrigo Santoro, Gisele Bündchen, globais em penca e até o governador mineiro Aécio Neves (na primeira fila de Renato Loureiro). Ricardo Almeida, por exemplo, apostou no drama de um homem elegante, misto de Senhor dos Anéis, Clube da Luta e Matrix. Ternos anoréxicos, de corte afiado, muito couro e muita pele. Atenção para os cachecóis de camurça trecê. A fumaça de gelo seco ficou engraçada e Rodrigo Santoro entrando com um cãozarrão na coleira deu o tom de editorial de moda italiano. E tome, l?Uomo Vogue!Equitação foi o motivo principal do mineiro Renato Loureiro, ausente da última edição, mas de volta com sua melhor coleção em anos. Pantalonas imensas de dançantes, pelerine de cavalinho, pólos com cara de bem-nascidas e outros mimos fizeram uma apresentação elegante, como um desfile de cavalos de raça. Para dar uma trégua ao preto-e-branco, aposte no pink, creme e marrom. Os cavalos ? de verdade ? abrindo e fechando o desfile, deixaram todo mundo meio tenso, mas valeu o esforço. Carlota Joakina, do jovem Pedro Lourenço, continua mostrando talento e estilo próprio, apesar da referência Balenciaga gritar em quase todas as peças. Mas ele tem mão precisa e arrasa nas calças adesivas em mix de couro e lã. Continua com cara de uniforme da frota estelar (de uma galáxia fashion ainda não visitada), mas é jovem e muito rigoroso. E então escureceu. A Zoomp trouxe Gisele Bündchen (pânico e empurra empurra na entrada) num penteado black power que estava mais para carapinha. Escondeu nossa übertop debaixo de um negrume tirado diretamente dos filmes blaxplotation (tipo Foxy Brown e Cleópatra Jones). Batas peso pesado, túnicas tie-dye over teatrais, jaquetas jeans com manga babado e outros excessos difíceis de deglutir. As lavagens dos jeans eram comuns e os acessórios sempre demais. No meio desse exagero, Mariana Weickert brilhou mais que Gisele (simpaticíssima, diga-se) e a trilha sonora ?preto asa da graúna? (com direito a Grace Jones e Chic) foi o melhor de uma coleção pesada como um sarapatel em dia de sol. Encheu os olhos, enfim. O desfile da Ellus masculino foi puro metrossexual. Homem jovem e moderno que não tem medo de cor nem de lances de produção de moda. Enrolados em cachecóis mantas, os rapazes mostraram calças confortáveis, bermudas gostosas e jeans sempre na medida da atualidade que o homem brasileiro espera. E gosta. Pra encerrar, Joan Jet berrava seu hino I Love Rock and Roll enquanto as nasty girls roqueiras de Triton entravam na passarela. A marca sabe o que está na crista da onda: anos 20, brechó, estilo boudoir (lingeries exibidas e venenosas), haute couture X trash total. Mas ainda parace não saber se quer vender para a patricinha à la mode ou para a rebelde sem causa mas com um armário cheio de grifes. É tanta atitude que quase beira a caricatura. Mas tem apelo comercial e muitas peças básicas vão atrair compradoras mais deslumbradas do que informadas. E xô, carão!!!Amanhã tem mais. Veja galeria do SPFW

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2004 | 23h47

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