"Tio Sukita" retoma carreira no palco

Agora ele não é mais "tio". Na verdade, Roberto Arduim, 52 anos, nunca foi, até porque sua única irmã não tem filhos, assim como ele. O ator, conhecido nacionalmente como o sedutor de meia-idade que se encantava por uma ninfeta em um comercial de refrigerante, está de volta ao teatro e estréia amanhã, no Teatro Gazeta, a peça A Cigana Disse que Eu Ia Ser Feliz.Ao lado de Vanessa Machado, Arduim vive um compositor casado que sai em socorro de uma atriz em crise, prestes a se matar. A peça marca a volta do ator aos palcos após o final de seu contrato de quase três anos com a Sukita, período durante o qual ele ficou impedido de realizar qualquer outro trabalho.Em sua nova peça, ele espera levar ao teatro um público que ainda não o conhece como o ator Roberto Arduim. Entre eles, os estudantes do Colégio Objetivo, que ficam na escadaria do prédio da Gazeta e, quando o vêem chegar para os ensaios, só sabem gritar: "E aí, tio?".Arduim ainda acha graça que só depois da propaganda de 30 segundos ter ido ao ar ele tenha ficado conhecido de verdade. Afinal, ele tem 25 anos de carreira como ator profissional e atuou em mais de 20 peças, ao lado de gente famosa como Paulo Betti e Irene Ravache, e com diretores como Naum Alves de Souza.Ainda hoje Arduim não consegue sair de casa sem ouvir pelo menos uma vez o bordão "aperta o 20 pra mim, tio", mas ele garante que não tem nada em comum com o personagem - não gosta de mulheres mais novas e seria incapaz de abordar alguém daquela forma. Quando é reconhecido na rua, retribui o cumprimento discretamente e segue em frente.Nascido em São José do Rio Preto, noroeste do Estado, Arduim é avesso a badalações e ainda tem dificuldades em lidar com os 15 minutos de fama proporcionado pela TV. A postura tímida tem razão de ser. Assim que despontou com o "tio", ele passou a sofrer assédios na rua e até dentro de casa, coisas que nunca havia experimentado.Candidatas a "sobrinha" - Recebeu cartas de fãs que diziam estar loucas para ter um "tio como aquele" e até fotos de garotas quase nuas que afirmavam estar interessadas em conhecê-lo. O ator também chegou a ser importunado durante um mês por dois adolescentes paulistas que cismaram que ele tinha de conhecer a mãe deles, recém-divorciada. "Tive de mudar o telefone de minha casa porque eles ligavam de madrugada, no domingo, a qualquer hora".Mas ao pôr na balança o susto e o gostinho do reconhecimento popular, garante que o primeiro ingrediente pesou menos, e já admite que está querendo voltar a trabalhar em televisão.Nessas mais de duas décadas de carreira, Arduim participou das novelas Éramos Seis, Chiquititas e Marisol, do SBT, mas diz que está interessado em encarar outras tramas. "O único problema da TV é a má qualidade dos textos", diz o ator, que começou a vida artística interpretando Shakespeare.A primeira experiência profissional de Arduim foi em 1979, com Sonho de Uma Noite de Verão, dirigido por Roberto Lage. Na época estudante de arquitetura numa faculdade em Santos, ele só havia feito teatro amador, mas conquistou o papel de Tisbe. A partir daí, não parou mais de trabalhar em teatro. Fez, sob direção de Naum Alves de Souza, No Natal a Gente vem te Buscar, Nijinski e Aurora da Minha Vida -, esta última ele considera "um marco na sua trajetória profissional".Na temporada paulista de Aurora da Minha Vida, Arduim contracenava com os desconhecidos e hoje globais Paulo Betti, Eliane Giardini e Cristina Pereira, e a peça fez tanto sucesso aqui que foi levada ao Rio, para uma montagem que contava com Marieta Severo e Pedro Paulo Rangel no elenco.Na época, meados dos anos 80, Arduim jé era arquiteto formado e, além de atuar, dividia o tempo trabalhando na Secretaria Estadual de Habitação de São Paulo, em seu escritório de arquitetura e dando aulas de cenografia. "O Naum me chamou para fazer a peça no Rio e topei, jogando tudo que tinha para o alto", lembra ele.Depois, voltou para São Paulo para atuar em Uma Relação Tão Delicada, com Regina Braga e Irene Ravache. "No teatro nunca me faltou trabalho, mas a televisão tem alcance, basta ficar um tempo na tela para que todos te conheçam." No cinema, Arduim trabalhou em Ação Entre Amigos, de Beto Brant, e Os Xeretas, de Michael Ruman, diretor que lhe convidou novamente para atuar em um longa que deve ser rodado em 2003.A Cigana Me Disse Eu que Ia Ser Feliz. Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900, tel. 3253-4102). Sextas, às 21h30, sábados, às 21h e domingo, às 19h. De R$ 25 a R$ 30.

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