Tio Maneco e o Macbeth de Orson Welles

Pequenos Grandes Astros

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2012 | 03h08

16h05 NA GLOBO

(Like Mike). EUA, 2002. Direção de John Schultz, com Lil Bow Wow, Morris Chestnut, Jonathan Lipnicki, Robert Forster, Crispin Glover.

Garoto que sonha virar atleta realiza sua fantasia de forma inusitada - ele encontra tênis mágicos que lhe permitem, literalmente, 'voar' nas quadras de basquete. Reprise, colorido, 100 min.

Atravessando a Ponte - O Som de Istambul

22 H NA CULTURA

(Crossing the Bridge: The Sound of Istanbul). Alemanha/Turquia, 2005. Direção de Fatih Akin.

Cineasta alemão, de ascendência turca, Fatih Akin tem feito filmes que retratam a experiência da comunidade a que pertence. Como manter a identidade numa sociedade competitiva com a alemã da chanceler Angela Merkel? Como se integrar, quando há tanto preconceito contra imigrantes? Akin trata esses temas em chave de ficção. Aqui, no formato de um documentário, investiga a cena musical de Istambul, e como pode ser atraente para ouvidos 'estrangeiros', em sua mistura de sons (ocidentais e orientais). Reprise, colorido, 100 min.

As Apimentadas - Mandando Ver

0 H NA RECORD

(Bring it On Again). EUA, 2004. Direção de Damon Santostefano, com Anne Judson-Yager, Bree Turner, Kevin Kooney.

Assolada pela crise, escola tradicional corta verbas de programas de literatura e balé para continuar investindo em seu cartão de visitas - as líderes de torcidas. Uma garota novata tenta entrar para o seleto grupo, mas quem disse que as veteranas deixam? Só que ela é osso duro e não vai desistir. O tom é de comédia. Inédito, colorido, 90 min.

TV Paga

Aventuras com Tio Maneco

12H40 NO CANAL BRASIL

Brasil,1971. Direção e interpretação de Flávio Migliaccio, com Odete Lara, Walter Forster, Rodolfo Arena, Mauro Farias, Luiz Mário Farias, Maurício Farias.

Aventura produzida para plateias infantojuvenis, segundo fórmulas pouco frequentes na produção do cinema brasileiro. Em geral existem (existiam) os filmes de Xuxa, dos Trapalhões. O Tio Maneco criado por Flávio Migliaccio é outra coisa. Ele leva os sobrinhos para a fazenda do avô em Mato Grosso (antes da divisão do Estado). Encontram disco voador habitado por seres minúsculos - como os ETs de O Milagre Que Veio do Espaço, de 1987. Eles informam que o avô foi sequestrado por robô a serviço de alienígenas que buscam flor rara, em poder de uma tribo cujo paradeiro só o velhinho conhece. Com menos tecnologia, é verdade, mas com muita simpatia o filme antecipa elementos que o produtor e diretor Steven Spielberg iria popularizar mais tarde, inclusive na série de Indiana Jones. A destacar que os sobrinhos Mauro e Maurício Farias viraram depois diretores e que o próprio Maneco voltou em O Super-Tio, de 1978. Reprise, colorido, 90 min.

Consciências Mortas

16 H NO TCM

(The Ox-Bow Incident). EUA, 1946. Direção de William A. Wellman, com Henry Fonda, Dana Andrews, Mary Beth Hughes, Jane Darwell, Anthony Quinn, Frank Conroy.

Embora tenha feito alguns westerns, Wellman não foi caracteristicamente um diretor do gênero e o que o levou ao Velho Oeste foi a possibilidade dramática de alguns roteiros - como este assinado por Lamar Trotti (e que tem a fama de ser um dos melhores já escritos). A história trata de um tema tabu, o linchamento. Caubóis chegam a cidadezinha e tentam impedir que multidão enlouquecida enforque três vaqueiros acusados da morte de um rancheiro. Os críticos, principalmente aqueles que nunca conseguiram penetrar na intimidade das obras-primas de John Ford ou Howard Hawks, consideram o cartaz do TCM um dos raros westerns adultos, com Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann, de 1953 Pode-se argumentar que a infantilidade está no olhar deles para outros filmes, mas é perda de tempo. Jane Darwell, que ganhou o Oscar de coadjuvante pela sofrida mãe Joad de Vinhas da Ira, de Ford, faz aqui a pérfida cidadã que incita o ódio da cidade. É impressionante. Reprise, preto e branco, 75 min.

Macbeth - Reinado de Sangue

17H50 NO TELECINE CULT

(Macbeth). EUA, 1948. Direção e interpretação de Orson Welles, com Jeanette Nolan, Dan O'Herlihy, Roddy McDowall, Alan Napier.

A emissora anuncia uma sessão de duas horas, o que é estranho, porque o filme de Welles tinha 105 min (a versão do diretor), reduzidos para 89 min pelo estúdio (a Republic). Antes de virar cineasta, revolucionando o cinema com Cidadão Kane, em 1941, Welles revolucionara o rádio, com sua transmissão de Guerra dos Mundos, e o teatro, com um Macbeth ambientado no Haiti e interpretado por elenco negro em sua companhia, o Mercury Theatre. Welles volta aqui à peça que é considerada a maior tragédia do bardo. Noturna, ela mostra o vacilante Macbeth que é manipulado pela mulher, em busca do poder. A versão wellesiana ressalta a origem teatral, por meio dos cenários, e usa um recurso raro, senão inédito - os atores falam com o público. Vale ver e comprar com a versão de Gabriel Villela em cartaz no teatro, na cidade, com um ator, Cláudio Fontana, no papel da lady. Reprise, preto e branco, 120 min.

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