Time de estrelas conta início do drama da aids

Com Julia Roberts e Mark Rufallo no elenco, telefilme da HBO 'The Normal Heart' narra luta de ativistas gays

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 03h15

Acostumada a dar as caras no cinema uma vez ao ano, Julia Roberts dispensou a persuasão de produtores para topar dar expediente da televisão. Uma das estrelas de The Normal Heart, telefilme da HBO que estreia no Brasil em 31 de maio, às 22 h - uma semana depois dos EUA -, ela recusou três vezes a proposta para interpretar Emma Brookner, médica paralítica que faz uma pesquisa sobre seus pacientes, as primeiras vítimas dos vírus HIV na Nova York do começo da década de 1980, quando a aids ainda era uma incógnita.

"Assisti a um documentário sobre poliomielite (doença que afetou os movimentos da personagem) e tive o clique", contou em um vídeo divulgado pelo canal. Julia faz parte do time de personalidades de Hollywood que compõe o elenco de The Normal Heart, assim como Mark Ruffalo e Alfred Molina, o que reforça o movimento de talentos da telona que têm dado vez às produções de TV.

O longa, cuja história começa em 1981, mostra a luta de ativistas gays e seus aliados para combater o preconceito e convencer o governo e a sociedade a financiar a pesquisa e o tratamento da nova doença da época. A trama é baseada na peça homônima e autobiográfica escrita por Larry Kramer, montada nos EUA em 1985 e vencedora de três prêmios Tony, o mais importante do teatro americano. Quem lidera o movimento é Ned Weeks (Mark Rufallo), escritor assumidamente homossexual, perplexo diante da morte de amigos e desconhecidos na comunidade gay.

Com temperamento difícil, Ned se une à dra. Brookner para tentar entender a doença, chamada na época de câncer gay, e chamar a atenção da opinião pública. Em sua empreitada, o escritor cria uma organização para arrecadar fundos e tirar dúvidas sobre a aids, porém, bate de frente com seus companheiros de trabalho. Em meio à missão, ele pede ajuda e acaba se envolvendo com Felix Turner, um repórter do New York Times, vivido por Matt Bomer, visto na série White Collar.

O papel é um dos destaques do telefilme. Por contrair o vírus, Felix passa pelos diferentes estágios da doença e emagrece demais. O ator conta não ter se incomodado por ter perdido tanto peso para encarnar o personagem. "Eu queria ter ido mais longe, porém, o Ryan (Murphy, diretor) foi quem me impediu. Eu estava tão fraco que pensava: 'É melhor urinar nas calças do que ter de ir até o banheiro neste momento'. Eu nunca senti como se estivesse morrendo, tinha um desejo maior de viver. Isso foi importante para fazer o Felix", relembrou Bomer em entrevista ao site especializado em cinema Indiewire.

O diretor da produção é o mesmo do longa Comer, Rezar e Amar e de Glee. Foi Ryan Murphy quem convocou Jonathan Groff, egresso da série musical, para uma participação que inicia o espectador no drama das vítimas da aids ao longo do filme. Entre os rostos conhecidos estão ainda Jim Parsons, o Sheldon de The Big Bang Theory, e Corey Stoll, o Peter Russo de House of Cards, que surge em uma sequência que brinca com sua função na série do Netflix. Nos bastidores, uma das estrelas é Brad Pitt, que assina como produtor de The Normal Heart.

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