Time de artistas contundentes abre mostra no MAC

Basta dizer o nome da exposição que o Museu de Arte Contemporânea da USP inaugura nesta quinta-feira, 8, em seu espaço no prédio da Bienal no Ibirapuera, Mulheres Artistas: Olhares Contemporâneos, para saber que se trata de uma mostra em que a presença feminina se impõe naturalmente nesta data comemorativa, Dia Internacional da Mulher. Mas vale ressaltar que não se trata de um debate sobre gêneros, como diz Claudia Fazzolari, que assina a curadoria da exposição com a diretora do MAC, Lisbeth Rebollo Gonçalves. É uma maneira oportuna de marcar o início de um ciclo de mostras em torno da criação de ?mulheres artistas? (não somente brasileiras), projeto que pretende se estender até 2010. A mostra também conta com a realização do seminário Mulheres, Sociedade e Cultura, que ocorrerá a partir de sexta-feira no auditório do MAC-Ibirapuera e será aberto ao Público. Tomie Ohtake Nesta primeira edição, por assim dizer, de Mulheres Artistas, estão presentes obras de Élida Tessler, Beth Moysés, Karin Lambrecht e Rosana Paulino, além de uma escultura de Tomie Ohtake, homenageada especial. Segundo Claudia, que tem sua tese de pós-doutoramento sobre a poética visual de mulheres artistas, esse time foi escolhido porque "são criadoras de trabalhos contundentes". Uma característica importante da mostra, segundo a curadora, foi a negociação que as próprias artistas tiveram de fazer para a concepção e divisão do espaço expositivo. Além de salas, elas têm uma área em comum onde o visitante vai perceber a diversidade de seus trabalhos, alguns mais, outros menos explícitos sobre o que se poderia pensar serem questões femininas - a poética, nesse sentido, pode ser velada e carregada de grande força. A gaúcha Karin Lambrecht é identificada por seus trabalhos pesados em que faz, sobre pedaços de tecido, símbolos (muitas vezes cruzes) com o uso de sangue de ovelhas - sua sala especial na 25.ª Bienal de São Paulo, em 2002, era um espaço de "obras viscerais". Agora, Karin criou um trabalho diferente: em salas com paredes escuras uma área se sobressai porque é feita de folhas de ouro misturadas com mel. E a cruz também estará, na área em comum, ocupando uma parede e realizada com folhas de ouro - esse material que nas pinturas bizantinas era usado para representar o sagrado. Advérbios de Perec Logo após está a sala da também gaúcha Élida Tessler, cuja poética está relacionada ao caráter de coleção. Ela apresenta mais de mil plaquetas de acrílico com inscrições de advérbios tirados do livro A Vida: Modos de Usar, de Georges Perec, mas pensados para se tratar, no caso, da vida no parque - e é uma vida repetitiva. Ao mesmo tempo, Élida exibe Me Dá Sua Palavra, um varal cheio de prendedores de roupa com inscrições de palavras - muitas pessoas escreverem o que quisessem. "É uma reunião de diversas falas, uma entrega", diz Claudia. Já Rosana Paulino usa a chave do bom humor para tratar de questões como a pressão da beleza, da moda e do consumismo e do caminho da vida para a morte. Em suas monotipias da série Memento Mori, ela coloca no papel uma composição que junta figuras serigrafadas de mulheres, desenhos de partes do corpo como crânios e ossos e da expressão "és pó" carimbada em vermelho. Ao mesmo tempo, cria arapucas artesanais que estão a ponto de encobrir imagens relacionadas ao consumismo. "Quem pega quem nesse jogo de sedução excessiva?", pergunta a artista. E, por fim, Beth Moysés, artista de pesquisa entranhada na condição da mulher, principalmente de mulheres que sofrem violência, exibe os vídeos Corazón Tejido e uma parede com frases de brasileiras e espanholas sobre a pergunta "o que você mudaria no amor?" - ela atualmente está na Espanha expondo. "Beth usa uma imagem dolorosa, mas ela propõe a circularidade, a recomposição a partir da dor", define Claudia. Mulheres Artistas: Olhares Contemporâneos. MAC-Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3 do Parque do Ibirapuera, (11) 5573-9932. Até 6/5. Abertura amanhã, 20h, para convidados

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