Tide Hellmeister recorta e cola em livro

Calígrafo, artista gráfico, pintor, ilustrador. Tide Hellmeister é, há 40 anos, muito de tudo isso, como deixa bem claro a grande retrospectiva que será inaugurada nessa terça-feira na Pinacoteca do Estado, para convidados. Recortador e colador também definiriam a área de atuação do paulistano que começou aos 17 anos, na TV Excelsior, fazendo os letreiros veiculados pela emissora.Conhecido principalmente pelos trabalhos que publicava semanalmente no Caderno 2, do jornal O Estado de S.Paulo para a coluna de Paulo Francis, que escreveu de 1990 a 1997, período em que foram publicadas cerca de 1.500 ilustrações, Hellmeister (que tem todos os originais guardados na sua casa do interior) pode ser visto também com um precursor do photoshop. Bem antes do aparecimento por aqui do programa de computadores, grande vedete de muita ilustração feita hoje, o artista já recortava imagens de diferentes naturezas para depois sobrepô-las, misturá-las, criando com isso uma terceira realidade visual.Cortar e colar é, por excelência, o método de trabalho do artista, que há dois anos vive em Salto, interior paulista, afastado, como gosta de definir, do agito paulistano das artes plásticas e do jornalismo, algumas das áreas em que Hellmeister transitou durante essas quatro décadas de atividade - é dele também o projeto gráfico original do Jornal da Tarde. Não por acaso, a marca registrada dele é uma tesoura, quase aberta, em posição de ataque.A ferramenta está representada como um desenho de brasão em relevo na capa do livro Desnudamentos, a ser lançado durante a mostra de mais de 500 trabalhos. Aventura Topográfica, que fica em cartaz até 3 de dezembro, reúne criações muito pequenas, pequenas, médias e grandes, entre esculturas, fotografias e diferentes tipo de trabalho que, em comum, têm a qualidade de refeitura.Tipo gráfico - "São criações diferentes, como o que chamo de fotocolagens e fototipograficolagem, por exemplo", explica. Mas também objetos em papel e pintura acrílica sobre tela (técnica a que mais tem se dedicado ultimamente) podem ser vistos na Pinacoteca. Cláudio Ferlauto, curador da mostra, define a sinalização gráfica de palavras e letras sem sentido, que se tornaram uma marca da atuação do colega, dessa maneira: "Há críticos que acham que o não dito pode ser tipo isso, tipo aquilo, tipo ilógico, ilegível. Mas é simplesmente tipo gráfico."Na publicação, essa assinatura de Hellmeister é mais sutil. "O livro e a exposição são complementares", avisa ele. A publicação é uma sincera e bem-humorada declaração de amor às artes gráficas e às mulheres, cujas silhuetas servem de pretexto para a criação da peça que é uma aula de produção visual e que tem uma tiragem especial de mil exemplares.A publicação com poemas de Otoniel Santos Pereira começou a ser produzida há cinco anos. De lá pra cá, conta o artista, passou por muitas intervenções, que são, a rigor, intervenções sobre intervenções. Cerca de cem exemplares foram modificados manualmente. Assim cem peças são livros de artista originais e têm, ainda, fotos de Antonio Saggese, Adi Leite, Álvaro Póvoa, Cassio Vasconcellos, Ella Durst e Salvador de Rosa e textos de Fred Jordan, Ivan Angelo, além de Ferlauto.Tide Hellmeister. De terça a domingo, das 10h às 18 horas. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, tel. 229-9844. Até 3/12. Abertura às 19h30

Agencia Estado,

30 de outubro de 2000 | 16h25

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