Thogun

A música te levou para o cinema, quando, há oito anos, os diretores do documentário Fala Tu descobriram você. Sua relação de ator e músico é próxima?

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h08

Muito. Sempre junto. Eles me encontraram fazendo rap e hip-hop na comunidade carioca. E nunca mais parei. Foi minha paixão pela música que me levou para o cinema. Foi o Thogun músico que virou ator em Filhos do Carnaval (de Cao Hamburger), foi como sambista, e sargento, que fiz A Montanha (de Vicente Ferraz).

O samba te trouxe para SP?

Sim. A primeira vez que vim para cá, foi para participar de um evento com meu padrinho, Wilson das Neves, representando o rap do Rio. Foi decisivo. Ali conheci meu ex-sogro, Ney Silva, um gênio do samba. Virou meu parceiro. me apresentou São Paulo. Hoje sou um dos filhos da Vai Vai, querido da Nenê da Vila Matilde,.. Sou rapper há mais de 20 anos, vinha para cá para me apresentar, conheci todos que movimentavam a cena hip-hop do Brasil, mas tudo sempre volta para o samba.

SP não é o túmulo do samba?

Pelo contrário. São Paulo tem sim uma comunidade negra e sambista muito forte. É preciso deixar de ser preconceituoso e reconhecer isso. É uma cidade que pulsa. Uma mãe que te recebe, mas te olha de rabo de olho. Moro aqui há oito anos e hoje sou completamente 'paulioca'.

E suas raízes cariocas?

Não tem como apagar. Minha mãe era coralista casada com um sambista. Ele escutava de tudo, até Schubert. Já minha coroa, quando a gente aprontava, botava a gente para ler Manuel Bandeira e Grande Sertão Veredas. Depois tomava a lição. E dava uns coros para lembrar que estávamos vivo, aqui para aprender. Não fosse isso, hoje não teria 'ganho para rapper'.

Na série Anjos do Sexo, você era 'um Deus afro'. Já sofreu preconceito por ser negro?

Minha mãe dizia que não importa o que for, você é gente. Hoje, graças a Deus e muito esforço, há papéis para negros. Chorar para que? Tem muita água para correr na minha carreira ainda.

O que vem por aí?

Vem A Montanha, O Palhaço (do Selton Mello), Dois Coelhos (de Afonso Poyart), Acorda Brasil, que Sergio Machado filma este ano, Sou filho de Xangô com Exu, budista e brasileiro. Tá tudo certo!

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