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Thievery Corporation fala sobre disco e show novo no Lollapalooza

Grupo de dance com tempero político mistura dub, techno, jazz, R&B, trip hop e até bossa nova

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2012 | 03h08

Da última vez que esteve no Brasil, em 2006, o grupo Thievery Corporation teve de "duelar" com uma instituição da música eletrônica, os franceses do Daft Punk, e o saldo foi favorável. Sua mistura de dub, techno, jazz, R&B, trip hop e até bossa nova, aliada a uma superbanda com cítara, trompete, baixo, guitarra, percussão e cinco cantoras levou de arrastão o TIM Festival, na época.

De volta daqui a alguns dias para a primeira edição do Lollapalozza Festival, o Thievery Co. toca no dia 8 de abril no Jockey Club de São Paulo, numa jornada vertiginosa de música. É formado por Eric Hilton e Rob Garza, dupla norte-americana, mas no palco é uma big band. Dizendo-se fãs do Fugazi, há alguns anos passaram a fazer comentários políticos mais exacerbados ("Somos mais radicais que muitas bandas punk", dizem) e críticas ao "sistema".

Essa linha de música neopsicodélica com estofo político começou a dar respeitabilidade ao Thievery a partir do disco The Richest Man in Babylon (2002), que incorporou preocupações sociais ao seu repertório. Rob Garza falou brevemente ao Estado por telefone.

Qual será a base do seu show? Será esse seu disco mais recente, Culture of Fear, lançado no ano passado?

Sempre tocamos canções novas, mas a base do show são as músicas mais conhecidas da banda. Estamos com o reforço de um baterista extra, sintetizadores e também com um MC, Mr. Lif, que dá uma levada de hip hop ao show. Ele gravou a música título do nosso álbum, que trata dessa nova "cultura do medo" global que veio logo depois do atentado de 11 de setembro. Há uma subserviência à autoridade por causa disso, com as pessoas tirando seus sapatos e scanners de corpos nos aeroportos. Isso tem se mostrado assustador, porque é invasivo.

Vocês estão vindo para um festival organizado por Perry Farrell, que também participou do seu disco Cosmic Game, de 2005. Você aprecia o som da banda dele, Jane's Addiction?

Perry foi uma grande influência para a gente. Eu amo todos os discos do Jane's Addiction, cresci ouvindo os discos deles desde os anos 1990. A nossa carreira possibilitou muitos encontros fantásticos. Também gravamos com David Byrne, que é outro herói, também cresci ouvindo os discos dos Talking Heads nos anos 1980. Mas daí a trabalhar com ele? É um gênio!

Vocês já gravaram uma bossa nova chamada Samba Tranquille, muito tempo atrás. Ainda acha aquela experiência com o samba brasileiro interessante hoje em dia?

Sabe, eu amo aquela música. É uma canção com uma certa ingenuidade, envolve um tipo de troca. Ouvindo hoje, ela ainda tem um frescor, como se fosse uma música de radio college. Há grandes músicos de samba moderno hoje no Brasil, como Seu Jorge. Mas a velha música brasileira nunca vai morrer, é fundamental: Caetano Veloso, Jorge Ben, todos esses caras.

Culture of Fear é um disco que vem depois de um álbum muito impactante, Radio Retaliation.

Cada disco tem sua vibração, e Radio Retaliation (2008) estava imbuído de um sentimento de revolta, de rebelião (há no encarte do álbum uma imagem do subcomandante Marcos, porta-voz do comando militar zapatista do México). É bom poder dizer as coisas, abrir os olhos das pessoas para a sua realidade e para situações que são opressivas.

Musicalmente, vocês criam tudo em computadores ou vão ao estúdio como uma banda comum?

Muita gente tem essa ideia, de que a gente entra numa sala onde há uma máquina e apertamos botões e aí sai nossa música. Não, a gente age como uma banda comum, vai ao estúdio, tocamos instrumentos e pesquisamos com os efeitos, e isso se torna a base da música que fazemos.

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