The XX, a banda mais cobiçada

Badalado trio inglês de pop rock do momento só tem um disco e um ano de carreira, mas tornou-se disputadíssimo . Romy Croft (esq.), Oliver Sim (direita) e Jamie Smith no festival Coachella

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2010 | 00h00

A banda de pop rock que você não pode deixar de ouvir, no momento, é a britânica The xx. Ameaçadoramente bela. E a Bolsa de Rumores da temporada dá conta de que eles são os alvos preferidos dos festivais do segundo semestre - Planeta Terra, Woodstock (?). Deus queira. Já estão em todos os mais charmosos festivais europeus: Primavera Sound (Barcelona), Eurockeenes (Belfort, Inglaterra), Les Nuits de Furvière (Lyon, França), Bonnaroo (Tennessee, Inglaterra), Bestival (Ilha de Wight, Inglaterra).

The xx só tem um disco, lançado em agosto do ano passado, X (XL Recordings). Onze canções foram suficientes para que os garotos que ensaiam às margens do Rio Tâmisa, na Putney Bridge, no Oeste de Londres, mostrassem suas credenciais. Romy Madley Croft (guitarra), Oliver Sim (baixo) e Jamie Smith (programação e samples) exibem um fascinante domínio da melodia, e seu artesanato sonoro explora desde o minimalismo blasé e a repetição melancólica do pós-punk (como em Blood Red Moon) àquela velha angst adolescente (VCR, que parece uma canção que o Prefab Sprout poderia ter gravado lá pelos idos de 1988).

Banda boy/girl como The Kills, mas em dobro, tem sua sonoridade às vezes comparada ao Cocteau Twins. Soa mais como uma versão inglesa dos canadenses do Arcade Fire, mas sem a metralhadora instrumental. "É estranho que tão tradicional formato - bateria, baixo, teclados, guitarras, vozes - tenha resultado numa das mais originais estreias de 2009", espantou-se o semanário NME.

De fato. É desconcertantemente simples o dedilhar de guitarra e o tecladinho do final de Islands. Nas entrevistas, mostram-se adolescentes anglo-saxões extracomuns, com certa fixação por Pixies, mas também por Aaliyah e Mariah Carey. O que há de comum nisso?, perguntou um entrevistador. "As atmosferas", respondeu Madley-Croft. "E a simplicidade", completou Oliver Sim. "Eu acho que a simplicidade de um som ou uma letra, ou a simplicidade da conexão que você tenha com um uma canção é geralmente o que faz com que uma coisa seja pop, ou não seja pop." Daí porque não têm o menor pudor em encher uma de suas mais badaladas faixas, Crystalised, com um monte de "aiaiaiaiais".

Tão novinha a banda, e já enfrenta dissidências à moda antiga. Em novembro, Baria Qureshi (voz, guitarra e teclados), que fundou o grupo, saiu da trupe alegando "diferenças pessoais", para não voltar. A "dona" do grupo, Romy Croft, que fez a produção do álbum, apenas comentou que os que restaram vão ter de encontrar braços extras em seus corpos para fazer o papel de Baria.

RAIO-X

Escola do Rock:

O grupo se conheceu no colegial, uma escola que já está ficando hypada, a Elliott School (de onde saíram também o Four Tet, o Burial e o fantástico Hot Chip; melhor checar a água dos bebedouros da escolinha).

Horóscopo: Todos os integrantes vão completar, ou já completaram, 21 anos.

Garage band: O único disco foi produzido na garagem do estúdio XL em Notting Hill

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