'The Wrestler' ganha Leão de Ouro no Festival de Veneza

Filme do diretor nova-iorquino Darren Aronofsky traz Mickey Rourke no papel do ídolo da luta livre

Luiz Zanin Oricchio, enviado especial, com agências internacionais

06 de setembro de 2008 | 15h28

O filme 'The Wrestler', do diretor nova-iorquino Darren Aronofsky e interpretada por Mickey Rourke, obteve neste sábado o Leão de Ouro de melhor filme da 65.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.  Veja também:Veja lista completa dos vencedores e comentários no Blog do Zanin   O júri, presidido pelo diretor alemão Wim Wenders, considerou o filme, que fala de um lutador em final de carreira, como o melhor dos 21 que competiram pelo prêmio. Segundo o crítico do Estado, Luiz Zanin Oricchio, enviado especial a Veneza, The Wrestler, foi o último filme em competição exibido na sexta, 5, dirigido por Darren Aronofski, e foi uma boa surpresa, em especial quando se lembra do filme que ele apresentou aqui mesmo em Veneza no ano passado, o péssimo A Fonte da Vida. The Wrestler, (vamos traduzi-lo por O Lutador), sem ser nenhuma obra-prima, é bem melhor. Traz de volta à tela um Mickey Rourke bombado e envelhecido no papel do ídolo da luta livre que está pedindo uma aposentadoria, mas permanece no ringue para ganhar uns trocados a mais.  O diretor faz um bonito começo de filme, com a câmera acompanhando o lutador por trás, enquanto ele se encaminha para a arena. É um longo travelling, cheio de sentido. E que será repetido, em outra circunstância, mais adiante. Há muito sangue e paixão - e um belo trabalho de Rourke, que faz jus à força desse tipo de personagem: o velho lutador, o gladiador dos tempos modernos, sempre obrigado a mais uma luta para sobreviver. Claro, o tipo ideal de todos eles é Robert De Niro em Touro Indomável. Mas aí temos a obra-prima. Não passando nem longe dela, O Lutador convence pela sinceridade. Sua história é da queda com dignidade, enfrentando desde um romance frustrado com uma prostituta (Marisa Tomei) até o relacionamento difícil com uma filha (Evan Rachel Wood).  Na entrevista, Mickey Rourke disse que, antes de fazer o filme ele não tinha lá muito respeito pela luta livre. Afinal, ele lutou boxe e os boxeadores não levam lá muito em consideração esse tipo de combate que, mesmo sendo brutal, é em parte coreografado e ensaiado entre os supostos oponentes. Há um sempre do "bem", outro do "mal", os próprio juízes fazem parte do show e todos se divertem. Mesmo assim, sobram cortes, cicatrizes, dentes partidos e costelas quebradas. São como atores, vítimas da própria encenação. E, vendo a atividade mais por dentro, Rourke, segundo seu depoimento, passou a respeitá-lo. Isso porque Aronofski, habilmente, conecta a luta à sociedade do espetáculo. E faz a atração aparecer entre dois "atores do corpo", manipuladores da fantasia alheia - o lutador e a prostituta. Embora o Júri não tenha entregue o prêmio de melhor ator a Rourke, Wenders destacou que sua interpretação no filme "tocava o coração". Para o filme, o ator americano teve que se dedicar durante anos ao boxe profissional. Ele foi lançado no cinema em 9 1/2 semanas de Amor (1986), ao lado de Kim Basinger. Rourke reconheceu que "infelizmente" tinha "muitas semelhanças" com a personagem, pois "há 15 anos havia atirado ao lixo" sua carreira. The Wrestler mostra Randy Robinson, um lutador no final da carreira profissional, que começa a lutar em ringues de terceira categoria e a apresentar problemas de saúde devido aos anos em que praticou o esporte. Randy começa então seu acerto de contas com a vida. Uma filha abandonada, interpretada por Evan Rachel Woods, e uma solidão na pobreza que ele tenta superar com o amor de uma stripper, interpretada por Marisa Tomei.

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