'The Sonata Legacy': Uma leitura construída a partir de extremos

Com suas 32 sonatas para piano, Beethoven não apenas reinventa formalmente o gênero, mas o faz à luz de um senso bastante pessoal de arquitetura que ecoa as dores, alegrias, dúvidas e angústias de alguns dos momentos mais marcantes de sua biografia. Escritas entre 1795 e 1822, ou seja, durante toda a sua vida adulta, elas são vistas como uma espécie de autobiografia do compositor - ainda que a legitimidade do relato extramusical tenha muito a ver com a imagem do autor construída por quase dois séculos de releituras.

JOÃO LUIZ SAMPAIO - O Estado de S.Paulo,

23 Julho 2012 | 03h07

Seja como for, o conjunto das sonatas é um monumento da cultura ocidental - e o modo como se dá a aproximação a ele diz muito a respeito de um intérprete. O segundo registro de Rudolf Buchbinder foi feito ao vivo, durante uma série de recitais em Dresden. Entre a delicadeza quase espiritual e a força rude, com virtuosismo indiscutível, ele trabalha a partir dos contrastes. Os momentos mais interessantes de sua leitura, no entanto, se dão justamente quando abre mão de construir a interpretação a partir dos extremos. Revelam-se, então, breves instantes de transcendência em um todo, no geral, correto.

Avaliação do álbum The Sonata Legacy, de Rudolf Buchbinder:  Bom.

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