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The National lança o álbum 'Trouble Will Find Me'

Grupo recria a melancolia de sempre com um olhar mais esperançoso em disco

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2013 | 02h09

The National faz rock lúgubre, introspectivo, calcado em dores da solidão masculina. Há seis álbuns aprimoram esta combinação em arranjos translúcidos, que adornam o barítono de Matt Berninger como o vento estufa a cortina de um quarto triste para a luz entrar: o equilíbrio entre o som cristalino e a escuridão ferida, sussurrada entre quatro paredes, é algo a ser contemplado. Faz do The National uma das bandas mais interessantes a transitar no mainstream do indie rock, nos últimos anos.

O grupo tem cinco membros. Dois irmãos nas guitarras (Aaron e Bryce Dressner), outros dois no baixo e na bateria (Scott e Bryan Devendorf) - mais o amigo da turma, Berninger, nos vocais. Ao contrário do que acontece com roqueiros de meia-idade, eles ainda têm algo a dizer. Já foram solteirões entregues ao calor fugaz de one night stands, mas hoje são casados, próximos ou já além dos quarenta, e tocam como chefes de família sem esconder as angústias que mesmo a estabilidade pode trazer.

O pico desta melancolia amadurecida foi destilada em High Violet, de 2010, e tem sua continuação mais branda em Trouble Will Find Me, novo disco do grupo lançado esta semana. É um olhar mais esperançoso sobre a mesma aflição, e parece referir-se à musa tristonha com a certeza de que ela continuará lá quando o sol raiar.

"Éramos tão ausentes. Quando eu te levanto você se sente 100 vezes o que você é. Gostaria que todos soubessem o que é tão bom em você, mas teu amor é como um pântano", canta Berninger na preciosíssima This Is the Last Time. Ou "lembra quando você perdeu a cabeça e enfiou o carro no jardim, e pediu desculpas. Eu preciso da minha garota", entoa o cantor em I Need My Girl.

Mas as letras não dizem tanto quanto o entrosamento da banda, que tira poesia de uma combinação tão óbvia de instrumentos, com o mínimo de esforço. O baterista Bryan Devendorf merece atenção por compreender a necessidade de tocar mais leve em Trouble Will Find Me, embora tenha força de sobra, como já mostrou em Alligator e Boxer. Já o barítono de Berninger resume a maestria atual do The National: semeia emoção sem muita força, cantando como se estivesse falando sozinho. Cabe lembrar que os irmãos Dressner, criadores dos arranjos e harmonias, organizam o festival de música vanguardista Bang On a Can, em Nova York, além de manterem amizade com Steve Reich (pedem sempre os palpites do compositor quando lançam um disco). Portanto, não surpreende a releitura etérea, quase mediúnica que fazem de um básico quinteto de rock.

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