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The Magic Numbers e o novo som turbinado

Grupo toca canções de álbum inédito no 17º Festival da Cultura Inglesa

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2013 | 02h09

Seis anos após sua última visita ao Brasil, o grupo britânico The Magic Numbers desembarca daqui a alguns dias em São Paulo como uma das grandes atrações do 17.º Cultura Inglesa Festival. A boa notícia é que chegam com um novíssimo álbum na bagagem, que acabam de gravar e remixar. Mais: pretendem tocar algumas músicas do novo trabalho no Brasil, no dia 23 de junho, no Memorial da América Latina, em uma tarde de shows que começa às 12 horas, de graça.

O quarto disco do grupo ainda não tem nome, mas é mais rock, mais cheios de guitarras, e algumas canções já foram batizadas. The Magic Numbers deve tocar Shot in the Dark e Royal Descent, entre outras. "Também vamos tocar uma canção de Caetano Veloso, You Don't Know Me, que ele gravou no disco Transa", contou Romeo Stodart, líder do grupo, falando por telefone ao Estado de Londres.

"É legal voltar a fazer turnês de novo, levou um bom tempo gravando. Mas está pronto e será bom tocar algumas canções novas em São Paulo. Ainda não temos um título, mas finalmente entramos em acordo sobre as 11 canções que vão entrar nele, e o nome pode surgir durante essa viagem", disse Stodart.

O cantor e guitarrista afirmou recentemente que acha que o novo álbum contém algumas das melhores músicas que já compôs. "Sim, eu acho isso mesmo. Porque elas dizem exatamente aquilo que eu queria dizer." Quer dizer então que há algumas canções dos outros três discos da banda que Romeo não gosta?

"Há certas canções que, na época em que as fiz, elas me satisfaziam. Ouvindo hoje, penso que há algumas do nosso segundo disco que podiam ser mais curtas, que podiam ter sido mais bem produzidas. Eu amo todas as canções do nosso primeiro disco, mas acho também que poderiam ter sido mais bem gravadas. O que aconteceu, de lá para cá, é que aprendemos a tocar melhor ao vivo, temos uma outra dinâmica. Há algumas músicas que têm um espírito meio naïf, e isso reflete aquele nosso momento. Não há do que se envergonhar, mas é importante não se repetir", diz Stodart.

Quando surgiram, em 2005, os Magic Numbers foram apelidados de The Mamas & The Papas do século 21. Mas seu blend musical também incorpora coisas de Beach Boys, Simon & Garfunkel, Lovin' Spoonful e algumas das coisas mais melódicas e viajandonas dos anos 60 e 70.

Formado pelos casais de irmãos Romeo Stodart, cantor e compositor, e Michele Stodart, baixista (ambos nativos de Trinidad & Tobago) e Angela Gannon, percussionista, e Sean Gannon, baterista, eles se tornaram parte da paisagem musical com sua abordagem neo-hippie. Sua fidelidade a esse credo os levou a fazer, este ano, dois meses de turnê com um conceito acústico, desplugado - o que parece contraditório com o novo disco de rock guitarreiro.

"Quando começamos a banda, tínhamos por hábito fazer essas turnês em lugares não convencionais, tipo igrejas e teatros. O momento no Reino Unido é feito de coisas muito frenéticas, e resolvemos retomar aqueles shows. Sei que é contraditório, que é oposto ao que fizemos no disco, mas no ano que vem vamos passar o ano inteiro tocando as músicas novas, será outra guinada."

Romeo gosta de guinadas, mas não a ponto de fazer uma canção eletrônica. "Eu ainda encontro muito mais sentimento tocando de verdade. É mais apaixonante. Eu uso eletrônica no estúdio. E amo Radiohead, eles usam a tecnologia e conseguem uma qualidade humana. É compreensível que muito da música hoje utilize a eletrônica, porque é muito mais barata, mais conveniente. Pode-se fazer sozinho em seu laptop, é rápido para fazer, fácil para baixar, as pessoas também estão ouvindo as coisas mais rapidamente. Mas há coisas nesse disco novo que são diferentes do jeito tradicional. Especialmente as que usam mais guitarras. Há uma orquestração magnífica também, como as cordas", diz ele, sem falsa modéstia.

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