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The Kooks se apresenta no Via Funchal

Banda inglesa formada em 2008 lança o mais recente disco, 'Junk of the Heart', seu terceiro álbum

Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo,

11 de maio de 2012 | 03h12

Os ingleses da banda The Kooks, caçulas do britpop, fazem um show único hoje, no Via Funchal, lançando o mais recente disco, Junk of the Heart (EMI Music), seu terceiro álbum. É seu segundo show na casa, já tocaram lá em 2009. Tinham show no Circo Voador, no Rio, ontem - antes, fizeram um tour pelos bares do Leblon e estão ambientados.

Desde seu surgimento, em 2008, The Kooks ganhou uma notável abertura num público composto majoritariamente de colegiais e adolescentes. O responsável por essa façanha foi o álbum Konk, gravado no estúdio de Ray Davies, dos Kings, em 2008. Era um pop rock cheio de frescor e corinhos. Mas eis que, de repente, eles tentaram romper com essa imagem que alguns julgam uma maldição ("Afinal, o que nos distingue de Justin Bieber?", devem pensar).

Junk of the Heart veio então com essa "missão", com o vocalista e líder da banda se dizendo influenciado pelo LCD Soundsystem, coisas do tipo. Tentavam escapar da fórmula do britpop que recicla a psicodelia sessentista. Batizados com um nome que vem de uma música de David Bowie, Hunky Dory, de 1971, The Kooks definem o trabalho mais recente como uma reflexão sobre um estado de confusão mental causado (entre outras coisas) por abusos de certas substâncias. O velho existencialismo com nova embalagem.

O grupo tem, além de Pritchard (voz e guitarras), Hugh Harris (guitarra), Dan Logan (baixo) e Paul Garred (bateria). Junk of the Heart foi produzido por Tony Hoffer (de Beck, Air e Belle & Sebastian), e a combustão de batidas quebradas com violões e guitarras parece soprar uma brisa no combalido rock britânico de 2011.

Um novo hit do grupo, Mr. Nice Guy, foi inspirado nos problemas de Pritchard com a cocaína. Na verdade, foi uma leitura crítica do ambiente social que se cria em torno da cocaína, "caras que só falam sobre si mesmos e não ouvem ninguém mais ao redor". Pritchard fez uma severa autocrítica. "Tenho andado meio perdido, e não só em relação a mulheres e relacionamentos. Devagar eu me dei conta de que ia aos mesmos bares toda noite, entrando no mesmo estado de confusão mental, e pensei: 'O que está me motivando de verdade?'"

Falando ao Estado em novembro, Hugh Harris disse o seguinte: "Musicalmente, não há limites. É preciso ir adiante, mas também não é possível fingir que a gente sabe o caminho. Estamos em busca dele. Queríamos algo novo e de qualidade. Tentamos muitas coisas diferentes, mas todas tinham uma função. A guitarra reverse foi para combinar com o canto, não é afetação. É de fato um disco de transição, buscamos coisas que se aproximassem dos sons que tínhamos em mente", disse o músico.

O grupo foi formado ainda na faculdade, na metade dos anos 2000 - todos os integrantes estudavam no Brighton Music College. Há três anos, eles demitiram o baixista da formação original, Max Rafferty, por suposta falta de profissionalismo - o que Rafferty nega. Diz que não gostava mais do som.

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