Joel Ryan/AP
Joel Ryan/AP

The Foals apresenta o novo disco no Lollapalooza

Os garotos de Oxford se apresentam no domingo; confira a programação do primeiro dia do festival

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2013 | 02h10

Banda de grande senso dramático, os ingleses do Foals saíram ainda imberbes de Oxford para fazer o mundo com os discos Antidotes (2008) e Total Life Forever (2010). Vieram ao Brasil em 2008, ainda recém-nascidos, e causaram admirável impressão - chegaram a lembrar o Fugazi.

Eis que retornam para o Lollapalooza, para show no Jockey Club, no domingo, às 15h15, já com status de banda maior de idade, a bordo de um novíssimo disco, Holy Fire, produzido pelos estrelados Flood (que trabalhou com New Order, U2, Depeche Mode, Nick Cave, PJ Harvey e Sigur Rós, entre outros) e Alan Moulder (que produziu o lendário Jesus and Mary Chain). Já foram até chamados de "o novo The Cure", coisa que não rejeitam de todo.

"Não é intencional essa semelhança com o Cure. Eu até entendo que as pessoas sintam alguma familiaridade entre o nosso som e o deles, porque de fato nós procuramos gravar as guitarras com aqueles grandes sons, com uma certa modernidade clássica, e buscamos outros efeitos que não sejam os dos computadores, mas não é intencional nenhuma aproximação", disse o cantor e guitarrista Yannis Philippakis, falando ao Estado de Lyon, na França, há alguns dias, pouco antes de embarcar para o Brasil.

Um dos clipes de Holy Fire, Late Night, divulgado há 15 dias, mostra que o quinteto está pisando em territórios de areia movediça: num hotel decadente do Leste Europeu, a banda toca no lobby, enquanto vão se passando cenas simultâneas nos quartos: um parto sangrento, uma cena tórrida de sexo, um suicídio. O Foals parece ver hemorragias por baixo da normalidade cotidiana.

Além de Philippakis, a banda tem Jimmy Smith (guitarra), Walter Gervers (baixo e vocais), Edwin Congreave (teclados e vocais) e Jack Bevan (bateria). "De 2008, época em que estivemos pela primeira vez aí no Brasil, até agora, nossa trajetória tem sido natural. Nós nos ocupamos em crescer como uma banda, mas sem sermos levados pelas regras de uma indústria. Nós nos preocupamos em soar orgânicos, com a presença da guitarra em nosso som, em não deixar a tecnologia prevalecer sobre nossa natureza. Posso dizer que, hoje, já podemos fazer diferentes tipos de música, a assimilação de outras coisas é mais tranquila", diz o músico.

The Foals já deveria ter voltado ao Brasil no ano passado para um show completo, mas receberam oferta de abrir uma turnê do Red Hot Chili Peppers em setembro de 2011, o que complicou sua agenda. "Depois da turnê com o Red Hot, tivemos de parar com os shows para terminar nosso disco e então cancelamos Brasil e Argentina. Foi chato, estávamos com muita vontade. Mas agora estamos chegando, isso é o mais importante."

O grupo avalia como positivo o atual cenário da música, no qual o disco não tem mais o impacto que tinha num passado recente. "Isso significa que você não tem mais de ser obrigado a gravar disco atrás de disco para sobreviver. Nós somos uma banda de música ao vivo. Vejo que há um reflexo disso no som dos grupos, as bandas estão mais conscientes, estão mais atentas, tentando controlar melhor a qualidade do que fazem", analisa o músico.

Filho de pai grego cuja família se estabeleceu na Inglaterra nos anos 1960, Philippakis buscou influência nas raízes para o disco Holy Fire (embora já tenha salientado que, embora gregos, os pais sempre ouviram mesmo é Jimi Hendrix e Led Zeppelin). Tornou-se hábito entre os rapazes da banda passar alguns feriados na Ilha de Cárpatos, e muitas das letras foram urdidas ali, daí talvez o toque meio Aristófanes em seus rocks.

Holy Fire pode remeter desde ao remoto ano de 1980 quanto à modernidade industrial de Nine Inch Nails. É um disco de leque amplo, mas com agudo e incisivo. "Eu não tenho espaço suficiente", canta Philipakkis em Inhaler (que é precedida de uma canção instrumental de 4 minutos, Prelude). Outras faixas, como Stepson, parecem emulsões musicais à base de Cure, Joy Division ou Echo and the Bunnymen.

No Lollapalooza, o lado fã dos Foals também estará no gramado. "Eu amo o Hot Chip, acho o som deles único. E também será bacana ver o Pearl Jam, houve uma época em que eu ouvia alopradamente o disco Ten, como muita gente", conta o vocalista do quinteto.

Confira as atrações desta sexta-feira (29/03)

- Of Monsters and Men, palco Butantã, 15h15

- Crystal Castles, palco Alternativo, 17h15

- Cake, palco Butantã, 17h15

- Flaming Lips, palco Cidade Jardim, 18h30

- Passion Pit, palco Alternativo, 20h

- Deadmau5, palco Butantã, 20h

- The Killers, palco Cidade Jardim, 21h30

- Knife Party, palco Perry, 21h30

- Agridoce, palco Cidade Jardim, 14h15

- Dirty Loud, palco Perry, 14h30

- Copacabana Club, palco Alternativo, 15h30

- The Temper Trap, palco Cidade Jardim, 16h15

- Porter Robinson, palco Perry, 17h

- Perrosky, palco Cidade Jardim, 12h30

- Holger, palco Butantã, 13h15

- Marky & Bid, palco Perry, 19h

- Boss in Drama, palco Pery, 13h15

- Dazantiga, palco Kidzapalooza, 15h15

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