Tesouros para todos

Website põe à disposição do público partituras de grandes mestres - sem custos

Daniel J. Wakin, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2011 | 00h00

Os tesouros musicais da humanidade, obras de Schubert, Beethoven, Mozart, revivem nas execuções dos músicos que as interpretam. Mas, na verdade, sobrevivem nas notas musicais escritas numa partitura. E o website de um estudante de conservatório de 24 anos põe à disposição, gratuitamente, uma vasta coletânea desse repertório.

O site International Music Score Library Project (imslp.org) cresceu e tem hoje cerca de 85.000 partituras e de partes específicas para instrumentos de quase 35.000 obras, com outras milhares sendo adicionadas a cada mês. Uma preocupação para as editoras tradicionais de música, que obtêm seu ganha-pão com o aluguel e venda de partituras em edições caras referendadas por especialistas. Mais do que ameaça aos negócios, o site também já causou polêmica quanto a direitos autorais e vem enfurecendo editoras já estabelecidas.

"Ele é alimentado inteiramente pelo público", informou o fundador do website, Edward W. Guo, o ex-aluno de conservatório. Recentemente, o International Music começou a adicionar gravações e pode fazer a impressão da música, sob encomenda, pagando uma minúscula fração do que se cobra por edições padrões. Os preços das grandes casas editoras variam, dependendo do número de instrumentos ou da sua duração. Um conjunto de partes para um quarteto de cordas tradicional, por exemplo, pode custar de US$ 30 a US$ 50.

Essa biblioteca online de partituras transformou a música clássica no mais recente campo de luta entre provedores de informação convencionais - jornais, editoras de livros, gravadoras - e as novas forças digitais, como Apple, lojas de livros eletrônicos websites de compartilhamento de música e Guo, estudante de Direito.

Ao mesmo tempo que ajuda jovens músicos sem condições financeiras, a biblioteca também tem atraído a atenção das editoras de música. "Não sei se é uma ameaça, mas com certeza vai afetar as vendas", disse Ed Matthew, gerente de Promoção na G. Schirmer em NY. "É essa receita que nos ajuda a continuar oferecendo trabalhos de mais compositores."

Mas Guo não parece sensibilizado. "Em muitos casos elas ficam com a receita dos direitos autorais de compositores mortos há muito tempo", disse ele. "A internet é a forma predominante de comunicação. A lei de direitos autorais precisa mudar com ela. Queremos que as pessoas tenham acesso a esse material. Não tenho pena das editoras. As que se agarram ao velho modelo de negócio, vão desaparecer."

Mas as editoras observam que os usuários do website podem não desfrutar dos benefícios de algumas edições modernas que podem estar protegidas pela lei de direito autoral (portanto não são de domínio público) por causa de mudanças importantes na música, como correções e marcas de edição baseadas em anos de pesquisas.

Com as notícias de que outros websites interativos hoje valem bilhões de dólares, Guo já pensou em obter algum lucro com o seu site? "Na verdade não é o meu estilo de trabalhar. Como músico, tenho obrigação de promover música. Essa é a filosofia básica que apoia o projeto." / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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