"Terrorismo poético" quer dar novo sentido ao 11/9

O movimento Libere um Livro, ou Terrorismo Poético, prevê para hoje uma ação "planetária". A corrente distribuída pela internet, em várias línguas, pede que as pessoas deixem um livro que tenha mudado a vida delas na rua, com dedicatória, para que seja recolhido por um "transeunte". O objetivo principal é dar novo significado ao 11 de Setembro, data do ataque, há dois anos, às torres gêmeas em NY e ao Pentágono em Washington, e também do bombardeio, há 20 anos, do Palácio de La Moneda, que resultou na morte do presidente chileno Salvador Allende. "Juntos, transformaremos esta data em um ato de criatividade e generosidade. A mobilização será geral em Bruxelas, Paris, Florença e São Francisco", diz o manifesto.O movimento, lançado por editoras dessas cidades, ganhou o mundo, em parte porque já havia o site www.bookcrossing.com estimulando as pessoas a fazerem o mesmo, com identificação que permita acompanhar a trajetória do livro. "Me deu vontade de participar, mas fiquei pensando se ia ´pegar´", conta a professora de literatura Sonia Torres. "Mais valeria um mutirão para forçar o governo a criar bibliotecas públicas", avalia o escritor Eric Nepomuceno. "Gosto da idéia de rebatizar o significado da data", diz o professor de italiano Nicola dell´Aversano. "Gostaria de deixar A Ideologia Alemã, do Marx, e encontrar o novo da Susan Sontag", comenta o sociólogo Emir Sader."Será que tudo isso não são fricotes da estação, próprios de uma mídia, no fundo, inculta?", pergunta a crítica literária Leda Tenório da Mota. "O que não quero encontrar? Um daqueles originaizinhos ensebados, de um poeta novinho, que só quer desabafar", emenda a escritora Cintia Moscovich. "Deixarei um livro no Anhangabaú. Passo lá sempre e vejo tantos moradores de rua lendo", planeja a bibliotecária Elisa Machado. E você, o que acha? Vai participar? Que livro vai liberar?

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