"Terra Nova" e "Seis Danças" encantam platéia

O Gulbenkian Ballet, a companhia portuguesa convidada para a abertura do 18.º Festival de Dança de Joinville, encantou os catarinenses, que lotaram o Centreventos Cau Hansen, apesar do frio crescente, que na noite de quarta-feira ficou entre 5°C e 3°C, conforme marcavam os termômetros espalhados pela cidade. O Centreventos Cau Hansen de Joinville, em Santa Catarina, é um verdadeiro ginásio. O palco fica distante demais do público, problema que se tenta sanar com um telão enorme acima do palco mostrando meio fora de foco os detalhes da dança.Os bailarinos do Gulbenkian Ballet, dirigido pela brasileira Iracity Camargo, apresentaram duas obras do homenageado da noite, o coreógrafo checo Jirí Kylián, aplaudidíssimo pelas 6 mil pessoas presentes. Mas, o momento que arrancou palmas inesperadas da platéia foi quando os bailarinos Carlos Prado e Cláudia Novoa dançaram um pas de deux ultra-romântico, como um casal apaixonado que não se larga, deslizando ao som de Sivuca, que era parte da coreografia de Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo, apresentada por último. Aliás, as coreografias mais aplaudidas foram justamente Terra Nova, de Pederneiras e Seis Danças de Kilyán, que foram as apresentações da turnê brasileira da companhia reservadas com exclusividade para o Festival de Joinville. Esta foi a primeira vez em que Terra Nova foi vista aqui no País. A estréia mundial da coreografia ocorreu em Portugal no mês passado e foi composta em homenagem aos 500 anos do descobrimento do Brasil, sobre música de Naná Vasconcelos, Sivuca e Gória Gadelha.Sensualidade - Pederneiras não estava presente, mas seu depoimento publicado no programa do Gulbenkian explica seu objetivo ao criar essa coreografia: ?a alegria na maneira de se mover, a sensualidade que emana dessa alegria pelos movimentos que partem quase sempre da bacia - essa linha do Equador dos corpos - está presente na forma de ser e de dançar. É esta alegria e este prazer que procuro trazer à tona?.Um objetivo parecido deve ter perseguido Mozart ao compor Danças Alemãs, em que se baseia a coreografia Seis Danças de Kylián. Já os oito minutos de silêncio absoluto que exige Stamping Ground, não foram muito fáceis de serem obtidos com uma platéia tão grande. O som predominante do tambor na percussão que domina o restante do espetáculo, alguns elementos gestuais, passinhos ligeiros, são referências colhidas por Kilián junto aos aborígenes australianos e que foram usadas muito sutilmente, marca exclusiva de sua coreografia projetada amplamente no mundo da dança contemporânea.A noite de abertura do festival teve também seus momentos de Broadway, com o cantor americano Jeff Keller, que durante muitos anos foi protagonista do Fantasma da ópera e hoje é casado com uma joinvillense, interpretou My Way, de Frank Sinatra e We are de Champion, de Fred Mercury, entre outras.

Agencia Estado,

20 de julho de 2000 | 13h21

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