Teresa: mais MPB e menos

Os dias - ou melhor, as noites - em que Teresa Cristina cantava na Lapa do Rio de Janeiro de olhos fechados, endurecida pela timidez, ficaram num passado distante. Aos 12 anos de uma carreira elogiada até por seus ídolos, ela agora não só evolui no palco, ainda que comedidamente, mas também mostra cada vez mais o talento primeiro, em sua avaliação: o de compositora.

Roberta Pennafort, Rio, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

No DVD que lança pela EMI, Melhor Assim, entraram nove músicas próprias, entre voos-solo e com parceiros (Edu Krieger, Arlindo Cruz, Lula Queiroga). "Hoje me sinto mais madura para mostrar minhas composições. Tinha vergonha, medo de me expor", conta Teresa, que, com a maternidade (a filha, Lorena, acaba de completar um ano), aprendeu também a encarar com mais audácia seus monstros. "Quando fiquei grávida, passei a ir muito pra casa da minha mãe, na Vila da Penha (subúrbio do Rio, onde ela voltou a morar) e via uma pichação que dizia: "O que você faria se não tivesse medo?" Isso me fez pensar muito."

A coragem serviu também para que ela topasse dançar envolta num boá em A História de Lily Braun, regravação de Chico Buarque e Edu Lobo. E convidasse Caetano Veloso e Marisa Monte para cantar com ela os registros de Festa Imodesta, de Caetano, e Beijo Sem, que Adriana Calcanhotto compôs para Marisa. Elas estão no DVD, de 26 faixas, e no CD ao vivo, versão mais enxuta, com 14 faixas.

O ponto de partida é A Voz de Uma Pessoa Vitoriosa (Caetano/Wally Salomão). "Comecei a cantar em 98 e levei meu trabalho sem a alavanca de TV, rádio. Foi meu trabalho mesmo, sem descanso, sem férias", ela justifica a sensação de triunfo. Paulinho da Viola, gravado por Teresa no CD duplo que a lançou, está presente de novo: Cantando e Coisas Banais (com Candeia). "Sempre tem mais Paulinho pra gravar...", diz. Outras versões são O Que Vier Eu Traço (Alvaiade/Zé Maria), A Felicidade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) e Orgulho (Waldir Rocha/Nelson Wederkind), sucesso de Angela Maria que aparece num número de estúdio com a mãe, dona Hilda, cantora diletante. Outros convidados são Seu Jorge, Lenine e Arlindo Cruz.

Estaria Teresa se distanciando do samba no qual se criou, e buscando um lustro mais inclinado à MPB? "O samba marca muito. Como diz a música do Luiz Carlos da Vila, que nem carvão e giz. Ao mesmo tempo, o prazer de cantar MPB não pode ser negado a ninguém. Botando tudo junto, as pessoas entendem que é uma coisa só."

A pergunta é mesmo retórica. No show gravado no Espaço Tom Jobim em outubro de 2009, que deu origem ao DVD e parte do CD, ela está acompanhada do grupo Semente, com quem começou a cantar, embora incompleto (Bernardo Dantas no violão, João Callado no cavaquinho, Trambique no surdo); Paulão 7 Cordas, diretor musical, segue a seu lado. À Lapa Teresa continua indo, mas, com Lorena em casa, já não vara a madrugada.

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SATURDAY COME SLOW

Artista: Massive Attack. Álbum: Heligoland. Gravadora: EMI. Preço: R$ 28

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