Terceiro dia do Fashion Rio traz moda casual e roupas leves

Vestidos curtos, saias, shorts e tricôs marcaram desfiles de novos estilistas e marcas já consagradas

Roberta Pennafort e Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

09 de janeiro de 2008 | 19h41

O inverno da Maria Bonita Extra será fresquinho. Vestidos curtos, na altura da coxa, às vezes de um ombro só, outras com as costas nuas, aparecem em cores alegres como pink, roxo, azul-anil, vermelho. As saias eram rodadas. Para proteger as pernas do frio, meias 7/8, usadas com sapatos de golfe multicoloridos ou mocassins de salto bem alto.   Veja  também:    Babados, balonês e vestidos longos no desfile da grife Tessuti   A apresentação foi das mais concorridas. O salão Corcovado estava lotado, com convidados sentados nas escadas ou em pé. Na platéia, muitos vestidos repetidos de coleções passadas da Maria Bonita Extra. A estilista mineira Ana Luiza Magalhães assumiu a grife em outubro. Nesses dois meses, preparou duas coleções - a outono/inverno e a Maria Bonitinha, para mocinhas de até 10 anos.   Craque em malharia e em moda jovem, a também mineira Juliana Jabour levou ao Fashion Rio, possivelmente, a coleção mais usável desde terceiro dia de desfiles: vestidos lindinhos, em tecidos como georgette de seda e tafetá de seda, sainhas e shorts curtos, tricôs para serem usados por cima deles, além de variados moletons e os chamados moletinhos. E muita viscolycra, rainha há algumas estações.   "Sinestesia" era a palavra-chave. "Gostos que têm cheiro, imagens que têm sabor. Minha cabeça parece um liqüidificador. Misturo tudo!", esclarece Juliana. Nessa provocação dos cinco sentidos, ela usou verdes, azuis, cinzas e tons de branco. Estrelado pela top Marcelle Bittar, o desfile, acompanhado por clientes e fãs da marca - todas de olho nos sapatos-bota coloridos, um hit instantâneo -, foi bastante aplaudido.   Homem de barro   Estreante na semana de moda carioca, a Homem de Barro, nascida em 2002 em Niterói, resgatou o "Jornal das Moças", que fez a cabeça das mocinhas entre os anos 20 e 60, para sua coleção outono-inverno. Algumas referências eram explícitas, como as estampas alusivas à publicação. "Nossa silhueta é moderna, contemporânea, mas com uma brincadeira com a história das frases do jornal", explica Aline Rabello, a estilista, dona da marca junto com o marido, Marcio.   O que se viu foi uma profusão de vestidos com blusas do tipo segunda-pele por baixo; looks (quase) preto total, com acessórios bem coloridos (bolsas verde, azul e laranja, echarpes e meias grossas); luvas de diversos tamanhos. Algum brilho, algumas calças secas, uns pretos, uns roxos, uns cinzas. A trilha sonora com músicas que fizeram sucesso na voz de Carmem Miranda ninguém entendeu. Definitivamente, a Homem de Barro, que prometia "um susto bom" para seu debut, ainda não disse a que veio.   Caroline Rossato   Ex-integrante de feiras de moda do Rio - assim como a Homem de Barro, com quem dividiu a passarela -, a jovem estilista carioca Caroline Rossato combinou e descombinou cores como azul, marrom e mostarda em peças com inspiração art déco. Os anos 20 a influenciaram nesta estação. Os tecidos escolhidos foram o couro, sua marca registrada até aqui (que apareceu em saias e sobretudos), chamois (em calças e casacos), e até pele de coelho, que recobriu coletes (a serem usados longe dos trópicos, espera-se) e golas de vestidos. "A pele de coelho dá glamour às peças", explica Caroline, cria do Fashion Rio e tida como uma das promessas de sua geração.   A estilista, que tem como referência a silhueta do mestre francês Paul Poiret (ícone da moda do início do século 20), não teve pudores e apostou em mesclas como marrom-laranja-verde-azul e mostarda-vermelho-branco-marrom, em saias compridas e em vestidos. "Eu pensei nos vitrais e nas cores que os compõem", justifica.   Tessuti   O outono-inverno da Tessuti será de casacos leves, babados volumosos, formas balonês, e muitos, muitos vestidos, longos e fluidos. A marca carioca, que prima pela elegância e os tecidos nobres, desfilou sua coleção, ontem de manhã, no Museu Histórico Nacional. A beleza do prédio histórico do centro do Rio, cenário de grandes festas de ricos e famosos, não foi explorada pela grife, que preferiu levar suas modelos para uma sala fechada num andar superior.   Ainda assim, não faltaram belos momentos na passagem das criações da estilista Clara Vasconcelos. Os vestidos secos com bolsos, os trench coats fininhos (bem apropriados ao ameno inverno carioca), os brilhos discretos, os tricôs ajustados e as saias bem levinhas agradam em cheio à seleta clientela da loja, que já tem 24 anos. As cores? Muito bege, cinza, preto, marinha e fúcsia.

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