Terças de Dança tem "Chant d´Amour" e "Pressa"

Jean Genet e a Física foram as fontes de inspiração, respectivamente, para os coreógrafos Marcos Sobrinho e Cristian Duarte montarem seus espetáculos. Chant d´Amour e Pressa serão apresentados amanhã, no projeto Terças de Dança. Como é de praxe, o Estúdio Nova Dança abre seu espaço para que novos talentos e, também, para artistas experientes, para que possam mostrar seu trabalho.As duas apresentações desta semana contam com o apoio e a bolsa da Rede Stagium, recursos oferecidos pelo Balé Stagium para incentivar a dança. Chant d´Amour é uma coreografia com 20 minutos de duração. A pesquisa e interpretação são de Sérgio Luiz e a orientação conceitual de Vera Torres. "Nossa inspiração foi o único curta-metragem de Jean Genet, um filme de 1954, que deu nome ao espetáculo", conta Marcos Sobrinho. "O ponto de partida para a pesquisa foi a impossibilidade de comunicação entre pessoas que compartilham um mesmo espaço", explica.A pesquisa para a montagem esbarrou em uma tese de mestrado de Kiko Goisman, denominada Valete. Um dos enfoques da tese é o espaço no universo carcerário atual. "Como é viver com muitas pessoas ocupando um espaço mínimo e também como é o tempo para essas pessoas," diz Sobrinho. "No entanto, nossa pesquisa foi além da prisão física, procuramos mostrar a falta de comunicação entre pessoas que estão próximas, pessoas presas às idéias e que não se permitem aprender mais", conta o diretor. A coreografia trabalha a prisão interior e demonstra como o espaço físico é relativo. Em alguns momentos, os bailarinos até mesmo brincam com essa questão. Quanto à elaboração técnica do trabalho há pouca improvisão. "Os bailarinos traziam idéias e eu aplicava na coreografia", diz Sobrinho. Chant d´Amour apresenta técnicas de realese mescladas com o balé clássico e pouca música, "para que se possa ouvir o silêncio e a pulsação do corpo". Esse é um trecho do espetáculo que estréia completo em setembro no Ágora.Cristian Duarte apresenta o seu premiado solo Pressa - APCA/98 de melhor intérprete criador e o prêmio Mambembe/98 de melhor bailarino. A partir dos conceitos de freqüência e velocidade da física, Duarte pensa coreograficamente as diferenças entre os corpos. O solo será apresentado no FID (Festival Internacional de Dança) em Belo Horizonte, nos dias 4 e 5.Terças de Dança Duração: 60 minutos. Amanhã, às 21h30. R$ 5,00. Estúdio Nova Dança. Rua 13 de Maio, 240, tel. 259-7580.

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