"Terça Insana" vai do palco para rádio, internet e TV

Ninguém segura a Terça Insana. De volta ao Avenida Clube desde a semana passada, o show de humor que já faz parte do calendário de São Paulo virou DVD, ganha versão radiofônica, que vai ao ar em pílulas a partir de março, viaja nos fins de semana para o Rio e Porto Alegre em abril e depois outras capitais. O fenômeno não pára aí. Outro filhote que vem à luz em abril é o Café Insano, que abrirá espaço para novos autores e autores cômicos e estará na internet. No segundo semestre, o show, que já foi visto por mais de 90 mil pessoas, vai para a TV. "Recebemos propostas de todas as emissoras, mas ainda não chegamos a um acordo", diz a atriz e diretora Grace Gianoukas. "Não vou dar de mão beijada um trabalho de 20 anos, uma vida de idéias que resultaram no Terça Insana para encher lingüiça de algum programa", defende.Grace, Octávio Mendes, Ângela Dip e Marcelo Mansfield, alguns dos integrantes do grupo, são atores conhecidos do circuito alternativo de São Paulo desde o final dos anos 80. Naqueles tempos já faziam esse tipo de humor em bares. Um dos personagens antológicos de Grace, a Cinderela, traficante e viciada em cocaína, foi criado em 1987 e já apareceu no programa TV Mix, da extinta Gazeta. "Ela é atemporal, as pessoas não se esqueceram dela. Resolvi trazê-la de volta", lembra Grace.O humor da Terça Insana? Grace não sabe definir. "Não é stand-up comedy, porque os atores que fazem esse tipo de espetáculo não criam personagens. Acho que a gente faz crônicas cênicas cômicas, estou procurando um termo", brinca. "Não preciso do reconhecimento da crítica. Pode ser um show de variedades, de cabaré, de bar, mas, sinto muito, como conceito é teatro. Talvez estejamos fundando uma nova categoria."Quem assiste se identifica porque os personagens falam aquilo que todo mundo pensa. No jornal O Lado Bom, o ator Octávio Mendes lê algumas notícias chocantes. Uma delas dizia que a cantora Leila Pinheiro tinha sido internada com pneumonia, etc. "O lado bom disso é que ela não vai poder cantar nos próximos seis meses", arremata. A platéia desaba de tanto rir. A líder comunitária favelada Dona Edith (interpretada pelo excelente Luís Miranda) é um dos melhores personagens. Na semana passada, soltou farpas sobre a fortuna gasta na festa dos 450 anos de São Paulo. "Alguém perguntou se eu queria escutar Caetano Veloso?", reclamou. O DVD foi lançado por João Marcello Bôscoli, diretor da gravadora Trama, e que que já viu o show umas 15 vezes, é um dos muitos que engrossam o coro dos fanáticos pela Terça Insana. Foi de tanto assisti-los que outro diretor da Trama, André Szajman, 18 terças insanas no currículo, decidiu fazer a parceria para produzir o DVD e o programa de rádio. O DVD custaR$ 40 e é vendido só na revistaria do Avenida Clube. Em março terá distribuição nacional.No quadro mais hilariante do DVD, a personagem Aline Dorel, viciada em Lexotan, interpretada por Grace, vai a um luau com Mário e Oswald de Andrade e Villa-Lobos em Santos. A certa altura do palavrório "e tal e coisa", que a deixa atordoada ("Ôôôôô, me deixem ser burra..."), decide subir a serra a pé, já que naquele tempo, 1917, não havia ônibus no trajeto. Chegando a São Paulo cinco anos depois, ela vai dar na escadaria do Teatro Municipal com os pés inchados feito duas batatas. É nessas condições que ela inspira Tarsila do Amaral a pintar o Abaporu. Terça Insana - Com Grace Gianoukas, Octávio Mendes, Luís Miranda, Ângela Dip. Terças, às 22 horas. Ingressos: R$ 35. Avenida Club. Rua Pedroso de Moraes, 1.036, Tel. 11 3814-7383

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