T.E.R.A., um pequeno grande filme

T.E.R.A., um pequeno grande filme

Aristomenis Tsirbas é um nome tão estranho que parece ficção. É o diretor de Batalha por T.E.R.A. Canadense, ele vinha se exercitando em curtas, como The Freak, que ganhou uma menção honrosa em Sundance em 2002. Tsirbas assina a animação em 3-D que estreia hoje na cidade. Batalha por T.E.R.A é muito simpático. É como se Tsirbas misturasse Wall-E com o velho Planeta Selvagem, de René Laloux.  Mais certo é defini-lo como o primeiro filme pós-Avatar a incorporar, não a tecnologia, mas o espírito temático do (já) clássico high tech de James Cameron.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

E mesmo essa definição não é exata, pois Batalha por T.E.R.A. é bem anterior ao sucesso de Cameron. É de 2007 e estreou no Festival de Toronto daquele ano, desembarcando agora no Brasil somente em cópias dubladas. Isso impede o espectador de conferir o trabalho dos atores que deram voz - e personalidade - aos personagens. Evan Rachel Wood, Luke Wilson, Danny Glover, Brian Cox, Dennis Quaid, Justin Long.

O próprio Aristomenis Tsirbas já havia desenvolvido, em parte, o conceito de Batalha por T.E.R.A. em outro curta, Terra. A história acompanha essa garotinha, Maia, que vive no planeta T.E.R.A. Inesperadamente, são atacados pelo que os habitantes consideram "deuses", mas o conselho de anciãos sabe que não é nada disso. São os terráqueos, humanos, que querem se apossar do planeta dos terreanos, já que o deles foi destruído e os sobreviventes vagam pelo espaço em busca de oxigênio.

Abduzido. Maia salva um desses humanos e ele promete ajudá-la a resgatar seu pai, que foi abduzido. Só que o próprio terráqueo começa a ter problemas com seu superior, um general tão enlouquecido como aquele que quer destruir a árvore da vida em Avatar.

O herói humano vai se sacrificar como o de Cameron. Se o espectador não se prender a preconceitos arcaicos contra a animação - Toy Story 4 é um dos grandes filmes deste ano, não? -, verá que a relação do humano com a garota terreana é muito bonita.

Inicialmente, vale destacar que Tsirbas pretendia fazer T.E.R.A. em live action, com atores. No meio do percurso, o projeto foi transformado em animação, e 3-D. Trata-se na verdade de um verdadeiro tour de force, porque os efeitos de ponta tiveram de ser feitos com tecnologia limitada. Nada dos recursos fartos de Avatar. Batalha por T.E.R.A. custou míseros US$ 8 milhões, um custo irrisório para os padrões do cinema norte-americano e, mais ainda, para uma animação. Em geral, elas são tão caras que os estúdios guardam o segredo de seus orçamentos a sete chaves.

Como pequeno bom filme, T.E.R.A. mostra que a renderização é possível - é muito melhor do que o incipiente Fúria de Titãs, por exemplo, filmado em 2-D e convertido em 3-D. É tudo uma questão de imaginação, até, ou principalmente, do próprio espectador.

Trailer. Veja trechos de Batalha por T.E.R.A.

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