'Tenho a impressão de que este é meu adeus à película'

Entrevista com Walter Carvalho, diretor de fotografia

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2013 | 09h10

Entrevista com Walter Carvalho, diretor de fotografia:

 

Como recebeu o convite para fotografar o novo filme de João Jardim, depois de ter codirigido com ele?

 

Na verdade, estou aqui representando a família Carvalho, porque quem ia fotografar o filme era meu filho, o Lula. Mas o Lula emendou dois filmes nos EUA e ainda está lá. Volta só em agosto. Está sendo um prazer fotografar para o João. A gente se entende muito bem.

 

Você usa película?

 

Às vezes tenho a impressão de que Getúlio - Últimos Dias vai ser meu adeus à película. Está cada vez mais difícil conseguir o material. Tivemos de importar a película, o que, além do mais, encarece o processo. O cinema estácada vez mais digital.

 

Esta cena é uma exceção, Getúlio deixa o bunker. Como é filmar praticamente só em interiores?

 

Não faço filmes de época, mas sobre determinadas épocas. Nenhum cenário construído daria a grandeza de estar filmando no próprio Palácio do Catete. Mas, ao mesmo tempo, isso cria limitações. Não podemos mover um objeto aqui dentro. Meu chefe de maquinário puxou uma extensão lá de fora e criou uma luz geral, o que me liberou para usar a câmera na mão. O filme é só câmera na mão. Instável, como o poder de Getúlio, mas não tremida. O grande desafio foi filmar só com luz artificial. Durante 19 dias, o palácio permaneceu fechado, com lâmpadas ligadas 24 horas. Pode ficar muito bonito, mas é dureza.

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