Tempos libertários

Antonio Skármeta escreve livro sobre a alegria do povo chileno ao reconquistar a democracia, em 1988

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2012 | 03h08

O 11 de Setembro é lembrado de uma forma diferente no Chile: se o mundo todo se recorda dos ataques terroristas a Nova York e Washington em 2001, para os chilenos a data remonta a 1973, quando um golpe militar derrubou o presidente Salvador Allende, assassinado naquele dia.

Seguiu-se um período tenebroso: durante os 17 anos da ditadura de Augusto Pinochet, aconteceram, segundo dados oficiais, 1.200 desaparecimentos, 3 mil execuções e inúmeros casos de tortura.

A redemocratização aconteceu apenas em outubro de 1988, quando um plebiscito convocado pelo próprio ditador apontou a vitória do "não" sobre a continuidade do regime totalitário. Os dois momentos tão distintos inspiraram diretamente a arte, em especial a literatura e o cinema.

A ditadura motivou escritores como Ariel Dorfman que, exilado, produziu obras contundentes como a peça A Morte e a Donzela e o memorialístico O Longo Adeus a Pinochet, misto de crônica política e reportagem, publicado aqui pela Companhia das Letras.

Já o momento de respiro, o da mobilização popular no plebiscito, incitou a imaginação de outro escritor chileno, Antonio Skármeta, autor de O Dia em Que a Poesia Derrotou um Ditador, lançado agora pela editora Record.

"Trata-se de um livro com final feliz", adianta ele ao Estado, em entrevista realizada por e-mail. "Um fato raro na literatura mundial contemporânea."

Com uma prosa delicada, a história começa em uma quarta-feira de 1988, quando Santos, professor de filosofia de uma das escolas mais tradicionais de Santiago, é preso pela polícia durante uma aula. Os alunos ficam atônitos, especialmente Nico, o filho do professor que acompanha tudo pessoalmente.

Ele recebe o apoio da namorada Patricia, cujo pai, Adrián, outrora um bem-sucedido publicitário, figura na lista negra do regime e sobrevive de pequenos trabalhos informais. As duas histórias se fundem com o plebiscito, fruto da pressão internacional sobre Pinochet, que buscava novo mandato - Adrián tenta retomar sua carreira, assumindo a campanha pelo "não", enquanto Nico busca informações sobre o pai, temendo a todo instante receber a pior notícia. "Os chilenos reconquistaram sua democracia porque não perderam de vista a tradição republicana", comenta Skármeta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.