Tempos de consumo e de destruição

O primeiro filme italiano em concurso, È Stato il Figlio (Foi o Filho), do siciliano Daniele Cìpri, causou ótima impressão em Veneza. O festival, conhecido como carrasco da produção local, embarcou na proposta de Cìpri e aplaudiu muito ao final. Com justiça. Foi o Filho é uma bela e desencantada farsa trágica, interpretada magistralmente por Toni Servillo, afirmação quase redundante quando feita sobre esse ator, intérprete do presidente Giulio Andreotti em Il Divo, de Paolo Sorrentino. Servillo é já um dos favoritos ao prêmio do festival.

O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2012 | 03h10

O filme começa com um contador de histórias, um vagabundo que passa seus dias no Correio, entretendo usuários entediados. Busu é vivido pelo chileno Alfredo Castro (de Tony Manero e Post Mortem, ambos de Pablo Larraín). Seu assunto favorito é a família Ciraulo. Através dele conhecemos Nicola Ciraulo, a mulher, os filhos, a nonna (avó) e o avô, este já meio fora do ar. Os Ciraulo eram sicilianos como tantos outros, vivendo numa pobreza que ainda não era miséria, mas já entrevia dias piores. Como desgraça pouca é bobagem, um dia a filha menor, Serenella, é atingida e morta por uma bala perdida num conflito entre bandidos. A dor cede à esperança de receber uma bolada que o governo oferece às famílias de vítimas da máfia. Dinheiro traz felicidade? Sabe-se que não. Pode trazer segurança. Ou mais infortúnio, caso a opção seja comprar um carro de luxo em busca de status, como faz o infeliz Nicola Ciraulo. "O filme pode funcionar como metáfora da nossa época consumista, em que o importante é possuir as coisas até ser destruído por elas", diz Cìpri. / L.Z.O.

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