Temporada em dose dupla da OSB

Superada a crise, Sinfônica e seu novo grupo terão um ano de atrações distintas

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2012 | 03h11

Passado um 2011 de mais briga (com seus músicos) do que concerto, a Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira anunciou um 2012 de estreias e nomes de destaque internacional, tanto para a OSB quanto para a OSB Ópera & Repertório, o grupo formado por 37 instrumentistas demitidos e readmitidos num período de cinco meses.

Para a primeira, hoje com 71 integrantes, sendo um terço de recém-incorporados, virão o premiado maestro norte-americano de origem alemã Andre Previn (em sua primeira passagem pela América do Sul, aos 82 anos) e o pianista palestino Saleem Abboud Ashkar, descoberto adolescente por Zubin Mehta, que o fez solista da Filarmônica de Israel aos 17 anos. Ele abre a temporada, no próximo dia 31, com o Concerto n.º 1 para Piano em Ré Menor, de Brahms.

Para a segunda, novidade numa cidade de poucos espaços para a música erudita e sem grupos dedicados ao repertório lírico, foi desenhada uma programação que lhe desse relevância (à época do anúncio de sua criação, o meio musical mostrou-se cético, e a apelidou pejorativamente de "OSB do B"). Seu foco serão óperas no formato de concerto pouco ou nunca tocadas por aqui, caso de O Rei Pastor, de Mozart, e Griselda, de Vivaldi.

A programação contará com artistas em ascensão, como a soprano espanhola Saioa Hernández, para quem Montserrat Caballé é a "diva do nosso século, que deveria estar em todos os teatros", e de longa carreira, como a norte-americana Aprile Millo, no passado chamada de "mais alta sacerdotisa da religião operística". Aprile fará a Medeia na primeira audição no Brasil da ópera cômica homônima de Cherubini, que consagrou Maria Callas em 1953. Saioa será a Imogene de O Pirata, de Bellini, já encarnada por Callas e por Caballé.

"Não queríamos o lugar comum, e sim resgatar um repertório que ninguém ouve, e ser a primeira orquestra especializada em ópera do Brasil. A palavra 'crise' não existe este ano no nosso vocabulário, o que existe é a vontade de fazer sucesso", diz o diretor artístico Fernando Bicudo. "Tivemos uma preocupação grande de dar uma personalidade às duas", explica Pablo Castellar, que divide a tarefa com ele.

Os dois assumiram em julho de 2011, com o afastamento do regente titular, Roberto Minczuk, do cargo acumulado - decisão da Fundação OSB que teve como objetivo distensionar a relação com os músicos, deteriorada com a imposição de avaliações de desempenho.

A programação entrará no site www.osb.com.br. A temporada começa dia 31 de março, em espaços alternativos, e migra para o Municipal no dia 26 de maio - até lá o teatro estará fechado, por conta do desabamento de três prédios muito próximos, em janeiro. Este ano, a OSB passa a ter série em Brasília, além da de São Paulo. No total, a temporada terá cem convidados, de 21 nacionalidades diferentes.

Em julho se comemora o centenário de Eleazar de Carvalho, professor, compositor e um dos maiores nomes brasileiros da regência no século 20, com passagens pelas principais orquestras do mundo.

A Osesp abriu sua temporada, semana passada, homenageando aquele que foi seu titular por 23 anos, de 1973 até morrer, em 1996. A OSB, que teve nele um pilar (foi do grupo fundador, diretor artístico e regente por três vezes, totalizando 17 anos), também prepara seu tributo.

Será no mês de seu nascimento, no palco do Municipal - o mesmo em que Eleazar, em quatro décadas de atividade, regeu peças de Mahler, Beethoven, Tchaikovsky, Berlioz e Stravinski.

O programa sairá de seus preferidos. Imagens de Eleazar regendo serão projetadas. "Ele desenvolveu a carreira partindo do improvável e abriu muitas portas", diz Eleazar de Carvalho Filho, presidente da Fundação OSB. / R.P.

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