Temporada Dell´Arte traz Kirov

Para escolher a programação de dança deste ano, a Dell´Arte optou pela interatividade: perguntou aos assinantes o que gostariam de ver novamente nos palcos brasileiros. O público escolheu o tradicional - Kirov e o Tokyo Ballet. Além deles, estará no circuito, pela primeira vez no País, o flamenco da Compañia Antonio Márquez.O grupo espanhol abrirá a programação no Rio, entre os dias 23 e 25. Em seguida, irá para São Paulo, entre os dias 27 e 29, onde se apresentará no Teatro Municipal. Depois, segue para Brasília, entre os dias 31 e 2, na Sala Villa-Lobos, para Belo Horizonte, de 3 a 5, no Palácio das Artes, Porto Alegre, 6 e 7, no Teatro do Serviço Social da Indústria (Sesi), e fecha a turnê em Curitiba, dia 9, no Teatro Guaíra.Os dançarinos e músicos estarão apresentando três coreografias: Después de Carmen, Zapateado de Sarasate e Movimiento Flamenco. A primeira peça é baseada na ópera Carmen, de Bizet; a idéia é dar continuidade contando um sonho envolvendo a cigana depois da morte dela na arena dos touros com o toureiro vencedor. Zapateado, como o coreógrafo afirma, é um trabalho emblemático do flamenco e exige do intérprete agilidade e habilidade entre os movimentos dos pés braços e tronco. Por fim, Movimiento Flamenco, criação de Javier Latorre, passa por diferentes estilos de sapateado - como o tango, entre outros -, embalados por músicas populares.Em agosto, o público poderá conferir o tradicional Kirov Ballet do Teatro de Mariinsky de São Petersburgo, sob a direção de Makhar Vaziev. O repertório ainda não foi definido, mas o grupo deve optar entre as coreografias românticas Romeu e Julieta e Lago dos Cisnes.O Kirov é a mais antiga companhia estável de dança e ópera russa. Surgiu em 1738, quando a imperatriz Anna Ivanovna decidiu criar uma Escola Imperial de dança em São Petersburgo e convidou Jean-Baptiste Landé para dirigir. Em 1783, Catarina, a Grande, inaugurou o teatro lírico, feito de pedras, como uma companhia estatal de dança, teatro e ópera. A idéia era formar bailarinos com apurado rigor técnico. Com a chegada de Petipa à Russia, em 1847, foi introduzido o Romantismo, com coreografias como Paquita e O Lago dos Cisnes, que destacam o virtuosismo, a graça e a técnica apurada dos bailarinos.O Kirov Ballet do Teatro de Mariinsky há mais de 250 anos povoa o mundo da dança com artistas geniais, não apenas por intérpretes popularíssimos, como Michail Baryshnikov, Nureyve, Makarova, Nijinsky e Pavlova, mas por criadores como Petipa, que por 60 anos, deu uma identidade ao balé, Mihhail Fokine, que montou Les Sylphides e o solo A Morte do Cisne, o aluno de Fokine, Vaslav Nijinsky, que, junto com Diaghilev, modificou o entendimento do que era coreografia, pensando, também, a dança como um ponto de encontro entre várias artes, a começar pelo cenário.Para encerrar a programação da Dell´Arte deste ano, o Tokyo Ballet, a única companhia de dança no mundo fora do Béjart Ballet Lausanne autorizada a apresentar e encenar coreografias do criador francês. O repertório, que será apresentado em setembro, conta com Simphony in D, Tam-Tam et Percussion e Bolero, com música de Maurice Ravel e considerada uma das peças mais famosas de Béjart.Simphony in D é uma criação de Jiri Kylián e leva ao palco, ao som de Haydn, movimentos alegres, contagiantes, que provocam risos na platéia. Tam-Tam et Percussion carrega a assinatura de Felix Blaska. Na peça, um percussionista ocidental e um tambolireiro de vodu dividem a cena com os bailarinos.

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