Temporada de caça

Benjamin Walker fala de seu personagem Abrahan Linconl, presidente e caçador de vampiros

IAN SPELLING , THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h06

Benjamin Walker estava dando o seu recado no palco, interpretando o presidente Andrew Jackson no espetáculo na Broadway Bloody Bloody Andrew Jackson (O sangrento Andrew Jackson), e sabia muito bem que os produtores do filme Abrahão Lincoln, o Caçador de Vampiros estavam no teatro para ver se ele poderia ser o Grande Emancipador e matador de vampiros.

Travestido em Lincoln, no set de filmagem na Louisiana, Walter relembra o fato, ocorrido em maio de 2011, e insiste que não sentiu nenhuma pressão a mais naquela noite especial. "Acho que não tinha realizado plenamente que me dariam algum papel", diz ele. "O que pensei foi apenas 'bem espero que gostem do espetáculo.'"

O mesmo ocorreu quando das suas primeiras reuniões com o diretor Timur Bekmambetov e o produtor Jim Lemley, disse o ator de cinema e teatro, hoje com 29 anos, que também é comediante de peças stand-up, marido da atriz Mamie Gummer e cunhado de Meryl Streep.

"Isso também não me preocupou", disse, sorrindo para um pequeno grupo de jornalistas em visita ao set. "Parece que já tinham oferecido o papel para alguém, uma celebridade. O fato de me procurarem era algo muito remoto para mim. Assim não havia muita pressão. Fiquei fascinado com a ideia de me encontrar com Timur", ele acrescentou.

A 20th Fox deve lançar o filme sobre Lincoln em 22 de junho. Baseado no romance do mesmo nome, escrito por Seth Grahame-Smith, a história sustenta que o 16º presidente americano teve uma vida passada muito peculiar, secreta, caçando implacavelmente e matando vampiros, quando soube que eles tinham sido responsáveis pela morte da sua adorada mãe.

As experiências de Lincoln, matando vampiros a machadadas à noite mudam a figura do homem e influenciam sua política e presidência. Ao lado de Benjamin Walker estão Dominic Cooper como Henry, o mentor de Lincoln na caça aos vampiros, Mary Elizabeth Winstead como Mary Todd Lincoln e Martin Csokas interpretando Jack, amigo e caçador amigo de Lincoln. Rufus Sewell interpreta Adam, o vilão vampiro e Anthony Mackie aparece como William, camareiro pessoal de Lincoln. No momento, Walker parecia mais o presidente de Henry Fonda no clássico de John Ford, A mocidade de Lincoln (de 1939). Além de uma camisa verde-escura, calças e casaco, exibia uma barba, além de próteses de nariz e orelhas. As lentes de contato e a familiar cartola de Lincoln completariam a sua transformação.

Para saber mais a respeito do ex-presidente, Walker diz ter assistido ao filme de John Ford e lido inúmeros livros. Entre eles Team of Rivals, de Doris Kearns.

Walker procurou assimilar detalhes sobre o caso amoroso com Mary Todd e a sua tendência à depressão e suicídio. "Ele tomou as chamadas pílulas azuis, cujo principal ingrediente era o mercúrio, durante anos", diz Walker. "Imagine o que isso fez para sua psique. É surpreendente. Tem sido divertido fazer este filme, na verdade é um thriller, mas um thriller de época. Estamos levando realmente a sério os fatos e comprometidos com a época em que os eventos tiveram lugar na vida de Lincoln".

O truque foi capturar a natureza intrínseca de um Lincoln que todo mundo acha que conhece e ao mesmo tempo enxertar de modo convincente e perfeito o elemento sobrenatural. Naturalmente essa loucura de vampiros salpicados de sangue não ocorreu na vida real. "Provavelmente", adverte Walker, sorrindo maliciosamente. "Você supõe. Mas espere até assistir ao filme, porque não leu a pesquisa que estamos lendo."

"Acho que consigo racionalizar a questão, porque quanto mais aprendo a respeito de Lincoln, mais descubro como era um homem de múltiplas facetas. Parece que existem diferentes versões dele, o Lincoln político, o Lincoln que compartilhava com sua mulher, o Lincoln no estado em que ficou quando a mãe morreu", disse Walker. Alguém menciona as tremendas cenas de ação do filme. Uma delas envolve um trem descontrolado, outra mostra Lincoln no meio de uma debandada de cavalos. Walker aproveita para retomar a frase que tinha usado como gozação: "Medo é coisa de maricas".

"Fiz piada do medo anteriormente", disse. "Mas claro que estou petrificado. É emocionante e aterrorizante ao mesmo tempo. E também não tenho nenhum contexto, não sei nem do que devo ter medo."

"Podemos imaginar que o título do filme diz tudo o que os cinéfilos precisam saber sobre a produção. Mas não vamos tão rápido", disse Walker, para quem Abrahão Lincoln: o Caçador de Vampiros vai agradar os fãs de filmes de horror e também plateias tradicionais.

"Por exemplo, um artigo no The New York Times trouxe esta bela foto do Discurso de Gettysburg, como foi retratado no filme", disse ele. "Esta é a liberdade que o título nos propicia, no sentido de que 'nós conseguimos. Há vampiros e é Abrahão Lincoln. É um thriller. E daí'"? O ator diz que o título é uma brincadeira que todo mundo entende e que depois perde a importância. A surpresa é que não se trata de uma brincadeira. Desde que concluiu a filmagem de Abrahão Lincoln, o Caçador de Vampiros, Walker começou a trabalhar em Muhammad Ali's Greatest Fight (A Maior Luta de Muhammad Ali).

Dirigido por Stephen Frears, esse filme biográfico da HBO narra o processo movido contra Ali por se recusar a lutar no Vietnã e traz estrelas como Danny Glover, Frank Langella e Christopher Plummer como, respectivamente, os juízes da Suprema Corte americana Thurgood Marshall, Warren Berger e John M. Harlan. E Kevin Connolly, um dos funcionários de Harlan.

Retornando a maio de 2011, contudo, Walker não sabe o que o futuro pode trazer e não está certo se interpretar Lincoln abrirá caminho para trabalhos em outros filmes. "Bom Deus, adoraria ter uma outra proposta de trabalho antes que este acabe", diz ele. "Acho que, como atores, aprendemos muito cedo como as coisas são instáveis. Estou tentando aprender também com Timur, Jim e este grupo de pessoas o que puder, de modo que, se tiver de voltar às salas de espera quando isto acabar, posso me sentir satisfeito, realizado e orgulhoso do trabalho que realizamos.

"Certamente existe uma instabilidade", diz ele. "Não acho que seja o momento de dizer 'fiz um grande filme e agora continuarei a fazer grandes filmes. Seguro saúde é uma coisa garantida'". "Não", ele conclui, "daqui a pouco será Tylenol e uísque".

Tradução de Terezinha Martino

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