''Temos obrigação de dar testemunhos''

Há dois anos, ele esteve no Brasil como presidente do júri no Festival de Manaus. Há quase 20 - o filme é de 1991 -, veio mostrar The Commitments - Loucos pela Fama. Independentemente dessas vindas, e ele está de novo em São Paulo, integrando o júri da 34ª Mostra, Alan Parker admite que teria de gostar do Brasil. "Sou louco por futebol e não se pode ser boleiro sem gostar do Brasil e do futebol de vocês."

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

Antecipadamente, Parker lamenta que não terá tempo para assistir a nenhuma partida de futebol. No Rio, anos atrás, foi ao Maracanã e cumprimentou o time do Flamengo - não se lembra contra quem era o jogo. Agora, a agenda é curta e, como jurado, ele terá de ver muitos filmes. Gostaria de ter trazido a mulher e o filho menor, mas o menino pegou um forte resfriado. "Ela ficou cuidando dele."

Aproveitando sua presença, a Mostra lhe dedica um programa - e hoje serão exibidos, em sequência, Expresso da Meia-Noite, Bugsy Malone - Quando as Metralhadoras Cospem e Pink Floyd - The Wall. Ele admite que, se tivesse escolhido o programa, preferiria que o público (re)visse Asas da Liberdade (Birdy), Mississippi em Chamas e The Commitments. Revela que teve tanto prazer fazendo o último que nem conseguia dormir direito. "Queria acordar logo para correr ao set." E por que isso? "Por causa das pessoas. O elenco jovem era fantástico."

Não tem filmado muito, e não é por falta de projetos. "Durante sete anos integrei organismos que formam o sistema de financiamento do cinema inglês. A volta ao set ficou mais difícil. "Quando você está engrenado, é automático emendar um filme no outro." Não é que desconsidere Pink Floyd, mas se trata, talvez, da sua pior experiência numa rodagem. O melhor filme? Ao contrário de outros diretores, que não gostam de escolher entre seus "filhos" (os filmes), Alan Parker não vacila - Asas da Liberdade. "Acho que o diretor tem a obrigação de dar seu testemunho sobre o mundo. Não é o que ocorre no cinema atual. Hollywood está formatada para produzir fantasias para crianças e adolescentes."

O fato de ter filhos crescidos e um menino o força a acompanhar um amplo espectro de filmes. Concorda que os filmes infantis estão melhores. "Na minha, época, não havia nada parecido com Up - Altas Aventuras." O repórter diz que, mais ainda do que Up, gosta de outra produção da Pixar/Disney - Ratatouille. "The little mouse? O ratinho? Meu filho adora aquele filme, não se cansa de ver. É muito bom."

Ao longo de sua carreira, Parker virou sinônimo de polêmica com filmes como Mississippi em Chamas, sobre a luta dos negros por direitos civis, nos EUA dos anos 1960. Está entusiasmado com as possibilidades do que vai ver como jurado. "Espero que existam filmes brasileiros entre os selecionados pelo público." Seu mentor foi Fred Zinnemann. O jovem Alan Parker exibia seus filmes para o mestre. Ele adorou Asas da Liberdade, que não foi muito bem de público. Deu-lhe um conselho. "O cinema é muito importante para se perder tempo com certos filmes." Qual? "Coração Satânico (Angel Heart)." Coincidentemente, foi um de seus maiores sucessos no Brasil.

O EXPRESSO DA MEIA-NOITE

Unibanco Arteplex 2 - Hoje, 17h20

BUGSY MALONE - QUANDO AS METRALHADORAS COSPEM

Unibanco Arteplex 2 - Hoje, 19h40

PINK FLOYD - THE WALL

Unibanco Arteplex 2 - Hoje, 21h40

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