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Tem filho e não dorme mais como antes? Bem-vinda ao clube

Como relaxar e entrar em sono profundo sabendo que a criança a seu lado está com febre?

Luciana Garbin, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2022 | 03h00

O aviso foi dado por uma amiga, durante minha gravidez. Prepare-se: você nunca mais dormirá como antigamente! Eu, que até então dormia até em avião em pane, cheguei a me perguntar: será que o bicho é mesmo assim tão feio? A resposta veio certeira: em oito anos como mãe, nunca mais dormi como antes. Resolvi então fazer uma enquete informal sobre o tema com outras mulheres e o resultado foi surpreendentemente parecido. Apesar de pesquisas constatarem que mães de filhos pequenos sofrem mais, as de crianças maiores também relatam um estado de alerta persistente. Pegar no sono nem é o problema, dizem. Porque, com tanta coisa para dar conta durante o dia, cansaço é o que não falta à noite. Mas o sono, muitas vezes frágil e entrecortado, nem sempre é recompensador. 

Sono em estado de alerta significa acordar diante de qualquer pequeno ruído. Filho falou no sonho? Você acorda. Teve pesadelo e acordou chorando? Você voa para o lado da cama dele. Aparece com medo no seu quarto na madrugada? Antes de ele cruzar a porta, você já arrumou um espaço na sua cama. 

Tudo fica mais dramático em caso de doença. Como conseguir relaxar e entrar em sono profundo sabendo que a criaturinha a seu lado está com febre? Ou tomou o antitérmico, mas o efeito ainda não te convenceu? E se ela precisar de você bem no momento em que você cair na fase REM? Nessas noites de vigília, qualquer movimento ou respiro mais alto pode fazer uma mãe se preocupar. E, se tiver mais de um filho, o pesadelo pode se multiplicar. Mães de gêmeos costumam passar pela experiência de emendar noites em claro. Quando um filho começa a melhorar de uma virose, por exemplo, o outro piora. E nos casos em que mais de um fica doente ao mesmo tempo? Já passei pela tenebrosa experiência algumas vezes. 

Ah, mas esse sono entrecortado não é exclusividade feminina, dirão alguns. Não, não é. Mas, assim como outras funções da em geral desequilibrada repartição de tarefas no lar, interromper o sono na madrugada parece ter se cristalizado muito mais como uma atribuição materna do que paterna. Assim como só dormir depois que os filhos dormem e tentar acordar mais cedo para ter um tempo pra si. 

E, se tudo isso já parece drama suficiente para mães de crianças, tudo piora quando se encontra uma mãe de adolescente. A conversa é sempre na linha: “Tá achando ruim? Pois aproveite agora enquanto eles ainda não saem à noite. Aí é que você vai ver o que é não dormir mesmo...”. 

 

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